Dois pesquisadores americanos  e um britânico dividem o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia deste ano. Segundo o anúncio da Fundação Nobel, Mario R. Capecchi (EUA), Martin J. Evans (Reino Unido) e Oliver Smithies (EUA) recebem a honraria por suas “descobertas inovadoras envolvendo células-tronco embrionárias e recombinação de DNA em mamíferos”.

Essas descobertas levaram a uma tecnologia conhecida como “gene targeting”, usada em camundongos, que permite “desligar” genes selecionados em células embrionárias.

O processo tem sido usado para ajudar cientistas a determinar como certas doenças, como a fibrose cística, afetam as células, bem como na criação de camundongos que servem de modelo para mostrar como doenças humanas, como doenças degenerativas, diabete e câncer atingem pessoas que, de outra forma, são saudáveis.

Em sua nota, o comitê encarregado do prêmio diz que o uso de “gene targeting” expandiu o conhecimento de “numerosos genes no desenvolvimento embrionário, fisiologia adulta, envelhecimento e doenças”.

No ano passado, o Nobel de Medicina foi concedido aos americanos Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, também por um trabalho envolvendo manipulação genética – a descoberta da interferência de RNA, que permite desativar genes específicos.

O Nobel de Medicina ou Fisiologia é o primeiro dos seis Prêmios Nobel anunciados a cada ano. Os outros serão os de Química, Física, Literatura, Paz e Economia. Os prêmios são entregues em 10 de dezembro, data da morte do criador da honraria, Alfred Nobel.

Os ganhadores

Mario R. Capecchi, do Instituto Médico Howard Hughes da Universidade de Utah, nasceu em 1937, na Itália, onde cresceu durante a 2ª Guerra Mundial. Quando Capecchi tinha quatro anos,  sua mãe foi levada para o Campo de concentração de Dachau. Os dois se reencontrararm anos mais tarde, e emigraram para os EUA.

Em nota distribuída pelo Instituto Howard Hughes, Capecchi agradece ao co-descobridor da hélice dupla do DNA e seu orientador de doutorado, James D. Watson, por inspirá-lo a desenvolver a carreira científica.

“Foi uma surpresa fantástica”, disse Capecchi, sobre o Nobel. Ele declarou que estava dormindo um sono profundo ao receber o telefonema da  comissão Nobel, feito às 3h da madrugada, horário de Utah. “Ele (o representante da comissão) soou muito sério, então achei que devia ser verdade”.

Oliver Smithies, nascido em 1925 no Reino Unido, atua na Universidade de Carolina do Norte.

 Independentemente um do outro, Smithies e Capecchi mostraram que um processo natural pelo qual pares de cromossomos trocam seqüências de DNA entre si, conhecido como recombinação homóloga, poderia ser usado para induzir mudanças genéticas artificiais dentro de células.

Smithies disse esperar que o reconhecimento trazido pelo Nobel o ajude a conseguir verbas para outras pesquisas.

Sir Martin J. Evans, nascido em 1941, atua na Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Ele foi o descobridor, no início dos anos 80, das células-tronco embrionárias, que encontrou ao pesquisar tumores embrionários em ratos.

Da união dessas duas descobertas surgiu o uso de células-tronco como veículo para a transmissão de modificações genéticas, o que permitiu a criação do “gene targeting”.

Fonte: estadao