Cientistas divulgaram o primeiro esboço de sequenciamento genético da soja. Apesar de faltarem algumas lacunas de DNA, a sequência dos 20 cromossomos, ordem das bases nitrogenadas GCTA, contida em casa cromossomo, está pronta. O grupo, formado por pesquisadores dos Estados Unidos, com participação do Brasil, China, Coreia do Sul e Japão, anunciou esse sequenciamento em dezembro passado, pela primeira vez.

Segundo o pesquisador Alexandre Lima Nepomuceno, da Embrapa Soja, o genoma da soja é complexo, e o próximo passo é entender a função de cada gene e como interagem uns com os outros.

Pesquisadores acreditam que o sequenciamento da leguminosa, que é a principal commodity da agricultura brasileira, abrirá novos caminhos para o desenvolvimento de variedades resistentes à seca, a altas temperaturas e ao alagamento. Além disso, poderá auxiliar no desenvolvimento de espécies ricas em proteínas, voltadas para a indústria alimentícia e farmacêutica.

“Entender o genoma permite trabalharmos ao nível de engenharia genética em laboratório, alterando os genes, e levar a planta para esta ou aquela direção”, diz Nepomuceno.

Inúmeros trabalhos com melhoramento genético de soja, trouxeram respostas relacionadas apenas a estresses bióticos, que compõem ataque de doenças, ferrugem, bactérias, entre outras. Já esse sequenciamento do genoma pode facilitar o trabalho dos melhoristas.

O professor Nepomuceno explica: “A participação do Brasil no consórcio está focada na identificação de genes resistentes à seca, ferrugem asiática e nematoides (pragas)”, diz. “O importante agora é entender qual o mecanismo de defesa que a planta usa para tolerar estes estresses. A partir do momento que conhecermos esse mecanismo, usaremos essas informações a nosso favor.”

Há no mercado, atualmente, variedades resistentes à ferrugem, porém foram desenvolvidas pelo melhoramente clássico. Segundo os pesquisadores, o problema é que o fungo da ferrugem é mutável e pode atacar a planta, mas ao sequenciar o genoma e conhecer como funciona o mecanismo de defesa do grão, podem ser desenhadas novas estratégias de controle do fungo. Nepomuceno também considera que se pode trazer genes de outras espécies para aprimorar o mecanismo de defesa.

Fonte: O Estado de S. Paulo – 13 de maio de 2009