Uma variedade geneticamente modificada (GM) do melão cantaloupe (Cantaloup charentais) foi desenvolvida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. O principal objetivo da pesquisa foi tornar mais lento o amadurecimento desse fruto GM no período pós-colheita. Segundo o coordenador do grupo de pesquisa, o professor Ricardo Antônio Ayub, Ph.D. em Biotecnologia Vegetal, a alteração do produto deveu-se à injeção de uma enzima que interfere na produção do hormônio etileno. “Por este processo, a fruta amadurece mas não estraga tão rápido, pois o que acelera o amadurecimento é a produção de etileno no final do ciclo da planta”, afirma.

O melão cantaloupe GM, que na variedade convencional tem vida útil de sete dias após a colheita, quando armazenado em temperatura ambiente, passou a manter-se maduro por um período de 21 a 30 dias, sob as mesmas condições climáticas. A capacidade do produto em conservar-se por mais tempo possibilita que ele seja armazenado e transportado sem a necessidade imediata de equipamentos refrigerados, o que reduz um dos principais custos logísticos dos produtores brasileiros.

Outra importante característica apresentada foi a maior resistência a fungos e bactérias. “Além de retardar o amadurecimento, uma fruta mais resistente permite reduzir a aplicação de defensivos, diminuindo custos e favorecendo a aceitação dos produtos no mercado externo”, completa o cientista.