Pesquisadores da Universidade do Ohio, nos Estados Unidos, estão buscando o melhoramento de plantas de mandioca por meio de técnicas biotecnológicas.

A pesquisa está sendo realizada no escopo do projeto Biocassava Plus, co-financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates. Iniciado com mais de $12.1 milhões de dólares, o grupo é liderado por Richard Sayre, professor de Biologia Molecular e Celular de Plantas da Ohio State University, em Ohio (EUA).

A mandioca é o principal alimento de mais de 800 milhões de pessoas, sendo a maior parte de seus consumidores habitantes da África Subsaariana. É capaz de fornecer vitaminas, minerais e proteínas suficientes para alimentar subnutridos por um dia, isso tudo em uma única refeição com mandioca. Mas a safra abundante tem várias inconveniências, visto que o alimento é composto inteiramente de carboidratos, portanto não proporciona nutrição completa.

O professor Sayre disse que o grupo de pesquisa tem tentado suprir cada uma das deficiências da planta em plantas transgênicas individuais. O próximo passo seria combinar algumas ou todas as plantas geneticamente modificadas em uma, preferencialmente um cultivar, com o objetivo de eventualmente desenvolver variedades da mandioca que carreguem todas as características combinadas.

As plantas de mandioca geneticamente modificadas (GM) consistem em alimentos muito mais completos e nutritivos que as convencionais, e podem ser muito importantes para os países em desenvolvimento que utilizam a planta como alimento base de sua nutrição. O grupo internacional de cientistas pretende transformar o cultivo em um produto que possa ser testado em pelo menos duas nações africanas até 2010.

“Iniciamos as pesquisa de campo em Porto Rico para comprovar que as plantas têm um desempenho muito bom, tanto fora como dentro das estufas, e pretendemos começar experiências em campo em locais como a Nigéria e o Quênia até 2009”, confirmou Sayre.

Os laboratórios do projeto usaram uma variedade de técnicas para melhorar o modelo da planta da mandioca utilizada na pesquisa. Foram usados genes que facilitam o transporte mineral para produzir uma raiz de mandioca que acumule mais zinco e ferro do solo. Para fortificar plantas com vitamina E e betacaroteno (também chamada de pró-vitamina A porque é convertida em Vitamina A dentro do organismo), os cientistas introduziram genes em uma planta que aumenta a produção de terpenóides e carotenóides, os precursores da pró-vitamina A e da vitamina E. Eles conseguiram uma melhora de 30 vezes nos níveis de pró-vitamina A, determinante para a visão humana, os ossos e a saúde de pele, além do metabolismo e da função de imunidade.

“Esse é o projeto de plantas geneticamente modificadas mais ambicioso já promovido até hoje”, diz Sayre. “Algumas estratégias de biofortificação têm o objetivo de promover apenas um terço da quantidade diária de nutrição adulta recomendada, já que os consumidores conseguem obter o restante da necessidade nutricional por meio de outros alimentos da dieta. Mas os preços globais de alimentos têm sido exorbitantes, o que significa que muitos dos mais pobres estão agora se alimentando com apenas uma refeição por dia, primariamente o básico.”

Já haviam sido produzidas plantas tolerantes a vírus que causam fortes perdas de rendimento ou com redução de cianógenos (substâncias tóxicas), ou ainda mandioca enriquecida com zinco, vitamina E e betacaroteno. A redução de cianógenos também pode diminuir o tempo que leva para transformar a planta em alimento, o que normalmente leva de três a seis dias.

Fonte: Ohio State University – 30.06.2008