Vinte e cinco por cento das pessoas do mundo com nutrição diária deficiente estão localizadas na África subsaariana e, de acordo com a FAO (a Organização de Alimentos e Agricultura), aproximadamente 35% da população em 14 países da região estão cronicamente subnutridas. Contudo, empenhos para reduzir a fome na região têm sido dificultados pela falta de terras aráveis, chuvas inadequadas, baixa fertilidade do solo e os efeitos devastadores de pestes e doenças nas plantações.

“Eu ando muito triste e frustrada com os níveis de fome e da insegurança alimentar neste continente. São crises alimentares uma após a outra”, diz Ruth Oniang´o, membro do parlamento do Quênia e professora de Ciência de Alimentos e Nutrição na Universidade Jomo Kenyatta. A declaração foi dada em uma entrevista exclusiva que discutia a necessidade de a África adotar a biotecnologia na agricultura. “Eu não conheço nenhum país que se desenvolveu sem utilizar ciência e tecnologia” afirma.

É de conhecimento geral que o aumento ou a intensificação da produção de alimentos é a chave para reduzir a fome na África Subsaariana, onde de 50% a 75% da população e da força de trabalho está engajada na agricultura. “Acredito que seja incumbência do nosso governo e dos cientistas trazerem uma tecnologia dirigida ao agricultor de pequena escala”, afirma Ruth Oniang´o.

“Os produtores precisam de diferentes tipos de informação, e eu acredito que a ciência agora avançou com a biotecnologia. Eu não estou dizendo que ela será uma bala mágica, mas com certeza pode ser um dos principais caminhos a se utilizar para melhorar a situação da fome na África”, acredita a parlamentar.

“Na África do Sul – único país do continente com plantações de transgênicos – variedades GM de algodão, milho e soja foram aprovadas para o plantio comercial e correspondem a aproximadamente 92%, 29% e 59% das safras referidas, respectivamente.

“O que eu gostaria é de ver uma situação nas quais famílias pudessem alimentar a si mesmas. Eu acredito que deveríamos começar o cultivo de transgênicos agora. Não podemos deixar para outra década ou ano que vem. Precisamos começar agora” explica Oniang´o.

Fonte: Checkbiotech – 1 de julho de 2007