O grande consumo de milho, principalmente na América Latina, é considerado como a principal razão para a contaminação humana por micotoxinas, que são substâncias resultantes do metabolismo secundário dos fungos que crescem nos alimentos. As micotoxinas mais conhecidas são as aflatoxinas, derivadas de dois tipos de fungos presentes no milho – Aspergillus e Fusarium. No campo da biotecnologia, o milho Bt é visto como uma alternativa para combater essa contaminação.

No início dos anos 90, uma ocorrência no sul do Texas indicou que mulheres latino-americanas davam à luz seis vezes mais crianças com defeitos no tubo neural (onde se desenvolve o sistema nervoso central) que mulheres não latino-americanas, moradoras da mesma região. A relação entre a dieta com grande presença de milho e os defeitos no tubo neural foi percebida nas pesquisas feitas em vários países, que permitiram identificar a presença da micotoxina fumosina, uma substância química tóxica altamente cancerígena.

O pesquisador da Universidade de Santa Maria (RS) e conselheiro do CIB Prof. Dr. Janio Santurio salienta que, na América Latina, o consumo de milho é muito grande. “O produto vem dos tempos dos incas, astecas e maias, que já o cultivavam”, diz ele, informando que o México, por exemplo, é um dos maiores consumidores de milho do mundo.

Ele esclarece que a produção de micotoxinas decorre, entre outras causas, da deficiência no armazenamento dos grãos (umidade e temperatura) e do ataque de insetos nos períodos pré e pós-colheita. No caso do milho, o inseto perfura a espiga e abre caminho para que o fungo se instale e se desenvolva. No milho Bt, há maior resistência a insetos, pois nele é inserido o gene da bactéria Bacillus thuringiensis, inibidora da ação de vários insetos lepidópteros (a lagarta, entre eles). “Menos insetos, menos contaminação por fungos que produzem micotoxinas”, diz Santurio.

Fonte: “Bt Corn Can Reduce Serious Birth Defects by Limiting Toxic Mold” “El maíz Bt puede reducir el número de defectos graves al nacimiento limitando un moho tóxico”, BUSINESS, TRANSPORTATION & TECHNOLOGY Vol. 10 No. 9