Determinados alimentos, especialmente o milho, podem sofrer o ataque de fungos durante o armazenamento e apresentar sérios riscos à saúde humana e animal ao serem consumidos. Estes fungos produzem substâncias tóxicas denominadas micotoxinas. Mas as ferramentas da biotecnologia podem reduzir a incidência do problema e, desta forma, trazer benefícios tanto ao agronegócio como aos consumidores. Quem explica é o professor Marcelo Gravina de Moraes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele estará no estande do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), nos dias 8 e 9, durante o XV Congresso Brasileiro de Sementes.

Pesquisador do Laboratório de Fitopatologia Molecular da UFRGS, Gravina diz que as micotoxinas são consideradas um problema global, particularmente em países menos desenvolvidos, onde as estimativas apontam para contaminações de até 80% dos alimentos em razão das precárias condições de armazenamento. “Algumas micotoxinas podem levar ao câncer, mesmo quando presente em baixas concentrações”, afirma.

A biotecnologia apresenta-se como alternativa para a redução dos níveis de contaminação porque permite o desenvolvimento de alimentos geneticamente modificados resistente a insetos, como é o caso do milho Bt. São os insetos que causam ferimentos nas espigas, onde proliferam os fungos produtores de micotoxinas. Segundo Gravina, o milho Bt se caracteriza pela incorporação de um gene que faz a planta produzir uma proteína tóxica somente para determinadas pragas, diminuindo os danos nas plantas em até 90%. “Nos Estados Unidos, estima-se que o uso da variedade transgênica proporcione um benefício de até US$ 23 milhões por ano, somente pela redução de duas micotoxinas, a aflatoxina e a fumonisina”, diz.