Cientistas europeus anunciaram o desenvolvimento de uma variedade de milho geneticamente modificado (GM) enriquecido com três vitaminas. Com o uso da engenharia genética, a variedade apresenta alto teor de betacaroteno e de precursores da vitamina C e do ácido fólico. Trata-se da primeira planta GM a apresentar mais de uma vitamina.

Os pesquisadores defendem que a cultura poderia ajudar a melhorar a dieta em nações mais pobres.

O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que detalha como o milho branco sul-africano foi desenvolvido.

A equipe, liderada pelo Dr. Paul Christou, da Universidade de Lleida (Espanha), transferiu três genes, um para a síntese de cada molécula, para embriões imaturos de uma variedade conhecida como M37W. Os embriões da planta foram bombardeados com partículas metálicas revestidas com pedaços de DNA, com o objetivo de alterar os processos bioquímicos para produzir vitaminas.

O rendimento das vitaminas verificado excede qualquer outra variedade produzida por métodos convencionais de produção de vegetais. Por essa razão, os pesquisadores acreditam que a produção de uma planta que contém três vitaminas poderia ajudar as nações mais pobres que subsistem de um alimento e raramente têm uma dieta equilibrada.

Para Johnathan Napier, líder na investigação do Rothamsted Research Institute, no Reino Unido, o trabalho foi semelhante ao do “arroz dourado”, mas, no caso do milho, trata-se de uma cultura com níveis mais elevados de vitamina A.

Ele acrescentou que os agricultores têm desenvolvido, há séculos, culturas que resistem a doenças específicas, são mais fáceis de colher ou apresentam maior rendimento. “Com o advento de tecnologias mais avançadas, podemos escolher os traços mais importantes, a exemplo dos aspectos de nutrição”, disse Napier.

Benefícios das vitaminas 

Betacaroteno – torna-se vitamina A – bom para a pele, a visão, o desenvolvimento embrionário, a fecundidade e o sistema imunitário;
 
Ácido fólico ou folato – ajuda na formação de células vermelhas do sangue e em muitos processos genéticos, além de contribuir para ao desenvolvimento do feto durante a gravidez;
 
Ascorbato – torna-se vitamina C – essencial para a pele e para o processo de cicatrização; estimula o sistema imunológico.
Os pesquisadores calculam que, ao consumir de 100g a 200g de milho fortificado, 20% da ingestão diária recomendada de ascorbato seria suprida e quase toda a de vitamina A e ácido fólico.

“Nossa pesquisa é de natureza humanitária e tem como meta a população pobre dos países em desenvolvimento. Este projeto específico está orientado para a África Sub-Saariana”, afirmou Christou. “Vamos começar em breve os estudos com animais para testar a eficácia e a segurança de dados”, acrescentou.

O estudo do milho GM multivitamínico tem financiamento público.

Fonte: BBC News 27 de abril de 2009