CIB – Quando e por que você decidiu plantar milho transgênico?

Musi – Eu decidi plantar o milho Bt, resistente a insetos, em 2005. Como todo produtor agrícola, sempre busquei elevar a rentabilidade da minha lavoura e foi isso que finalmente me levou aos transgênicos. O custo-benefício do milho Bt é muito bom. Para você ter uma idéia, a produtividade da minha lavoura transgênica foi 34% superior à da convencional, na safra passada. Por isso, eu venho ampliando cada vez mais a área com milho GM em minha propriedade. Na safra 2005/2006, eu plantei sete hectares. Em 2006/2007, também foram sete hectares. Agora, para a safra 2007/2008, eu arrendei 18 hectares de meu vizinho e já alcancei 25 hectares de milho Bt plantado.

CIB – Você falou na relação custo-benefício do milho Bt. Em números, qual é a real vantagem da adoção do grão transgênico?

Musi – O custo da semente GM é maior porque você paga pela tecnologia desenvolvida. Por hectare, eu gasto o equivalente a R$ 172 com a transgênica e R$ 86 com a convencional. Mas em cada hectare de milho Bt eu colho 9.650 quilos, enquanto a mesma área do grão convencional rende, no máximo, 7.200 quilos. Se considerarmos um preço médio de R$ 349 por tonelada, a rentabilidade final do milho Bt, incluindo o preço da semente, chega a R$ 3.196. Já com o milho convencional, o lucro fica em R$ 2.427. Resumindo, o milho Bt me proporciona cerca de R$ 770 a mais do que o convencional, por hectare, apesar do custo da semente GM.

CIB – Antes de testar o milho transgênico, você tentou aumentar a rentabilidade da sua lavoura com variedades convencionais mais adaptadas para a sua região?

Musi – Sim. Eu experimentei diferentes variedades de milho convencional e nunca percebi grandes vantagens quando as comparava entre si. Já o milho transgênico, como eu disse antes, me proporcionou benefícios econômicos, além de me oferecer mais qualidade de vida.

CIB – De que forma o milho Bt oferece a você mais qualidade de vida?

Musi – Com o lucro extra que o milho Bt me proporciona, eu venho mecanizando a minha lavoura. Há alguns meses consegui comprar uma colheitadeira usada, que é bastante útil no meu dia-a-dia. Assim, tem sobrado um pouco mais de tempo para eu me dedicar à minha família e à expansão do meu negócio.

CIB – Você acha que os transgênicos são uma boa opção para todos os pequenos agricultores da África do Sul?

Musi – Eu não tenho dúvida de que os transgênicos são a melhor solução para a agricultura de meu país. O que serve para mim também serve para os milhares de pequenos agricultores sul-africanos e de outras regiões do planeta. Por enquanto, temos, na África do Sul, variedades resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas, o que já gerou um grande avanço. Mas tenho certeza de que logo haverá transgênicos desenvolvidos para superar os mais diferentes desafios da nossa agricultura, como a própria seca.