O milho transgênico está cada vez mais presente no nosso dia a dia, seja por meio do próprio grão ou de produtos derivados dele. A adoção da planta geneticamente modificada beneficiou o consumidor, o agricultor e o meio ambiente. Neste texto você poderá tirar todas as suas dúvidas sobre o milho transgênico e descobrir as verdades e os mitos sobre ele.

Milho Transgênico

O que é o milho transgênico?

O milho transgênico é a planta que foi geneticamente modificada para apresentar alguma característica que não estava presente na planta convencional. A modificação ocorre por meio da inserção de um ou mais genes.


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No Brasil, atualmente, as características inseridas nos milhos transgênicos disponíveis para plantio são:

  • Resistência a insetos

Os transgênicos que apresentam essa característica são chamados de Bt. Isso porque o organismo doador do gene é a bactéria encontrada no solo Bacillus thuringiensis. A inserção do gene faz com que a planta passe a apresentar uma proteína inseticida letal para algumas pragas, mas inofensiva para os seres humanos.

  • Tolerância a herbicidas

A inserção de genes que conferem tolerância a herbicidas ajuda os agricultores a controlar as plantas daninhas que reduzem a produtividade das lavouras. Quando o agricultor aplica o herbicida ao qual o vegetal é tolerante, ele elimina as espécies indesejadas e preserva a cultura plantada.

Há variedades que combinam essas duas características também disponíveis para plantio no Brasil. Além disso, é possível importar variedades de milho transgênico que apresentam outras duas características: resistência à seca e produção de uma enzima que facilita a obtenção de etanol.

O desenvolvimento de uma planta transgênica requer investimento e anos de dedicação de cientistas. A tecnologia traz inúmeros benefícios:

  • Pode reduzir ou até eliminar a necessidade do uso de defensivos químicos;
  • Diminui a possibilidade de contaminação do milho com fungos produtores de micotoxinas. As substâncias, além do potencial tóxico, podem causar câncer;
  • Minimiza o impacto da agricultura no meio ambiente. Com um menor número de aplicações de agrotóxicos, há economia de água e de combustível.

Milho transgênico

Milho transgênico faz mal para a saúde?

Todo e qualquer produto derivado da biotecnologia que se destine à alimentação humana e animal é rigorosamente avaliado em relação à sua biossegurança antes de serem liberados para consumo. Até hoje, não foram constatados problemas de saúde relacionados com a ingestão de alimentos transgênicos (ou derivados).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os alimentos transgênicos comercializados não apresentam mais riscos à saúde humana do que os convencionais. Essa conclusão se baseia no fato de todos os alimentos transgênicos passarem por exigentes avaliações antes de ocuparem as prateleiras do supermercado.

Foi comprovado que variedades transgênicas do grão possuem 29% menos micotoxinas em comparação com o grão convencional. As micotoxinas são substâncias tóxicas e que podem ser cancerígenas produzidas por fungos que se alimentam do milho. Elas apresentam ameaça para a saúde humana e animal. Estudos demonstram que a contaminação por micotoxinas está associada ao aumento da taxa de câncer de fígado.


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Também não há DNA geneticamente modificado no leite, nos ovos ou na carne de animais que foram alimentados com ele. É importante destacar que até 90% das plantas transgênicas destinam-se à exportação para alimentação animal, principalmente no caso do milho.

Como identificar o milho transgênico na alimentação

 

O alimento transgênico não pode ser identificado a olho nu. Para saber se um alimento é ou tem em sua composição um ingrediente transgênico é preciso fazer testes em laboratório. No Brasil, um produto que contenha mais de 1% de ingrediente transgênico em sua composição deve conter as seguintes informações:

  1. símbolo de transgênico na embalagem. É representado por um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  2. frase “produto produzido a partir de milho transgênico” ou “contém milho transgênico”;
  3. nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

É importante saber que a rotulagem não tem relação com a biossegurança dos transgênicos, e sim com o direito à informação.

Milho transgênico faz mal para o ambiente?

A tecnologia dos alimentos transgênicos apresenta impacto positivo no ambiente, segundo estudo realizado por pesquisadores italianos e publicado na Scientific Reports. Os principais resultados mostram que os agricultores que adotam o cultivo de milho transgênico têm aumento de até 25% na produtividade.


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Há benefício para o meio ambiente porque a necessidade de aplicar defensivos agrícolas para combater pragas e plantas daninhas diminui. Desse modo, o gasto com água na preparação de produtos é reduzido, assim como o descarte de embalagens. Isso diminui a contaminação de rios, solos e animais.

A utilização de combustível dos tratores utilizados para aplicar os produtos nas lavouras também cai. Isso  significa um menor número de gases poluentes lançados na atmosfera. A tecnologia utilizada reduz as perdas e, consequentemente, aumenta a produtividade e diminui a necessidade do preparo de novas áreas para plantio.

Origem do milho transgênico

Inicialmente, o desenvolvimento de novas plantas era realizado apenas por meio de diferentes técnicas, como a seleção e reprodução assistida. Com o passar dos anos, as técnicas foram aprimoradas e as descobertas tornaram-se cada vez mais detalhadas. Os novos métodos utilizados permitiram que os genes fossem transferidos sem a reprodução sexual e também entre espécies distintas. A tecnologia que permitiu esse avanço ficou conhecida por Engenharia Genética.


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Cenário do milho transgênico no Brasil

O primeiro milho transgênico foi aprovado em 2007. De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), em 2016 plantou-se um total de 5,3 milhões de hectares de milho geneticamente modificado. O número representa 88% do total semeado com a cultura nas duas safras (verão e inverno).

O milho representa aproximadamente 40% de toda a safra brasileira de grãos. Também é a principal fonte de transformação de proteína vegetal em animal: leite, ovos e carnes (suína e de aves). O Brasil é o terceiro maior produtor mundial do grão.

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos transgênicos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e seguido pela Argentina. O País planta, além do milho, mais três culturas transgênicas: soja, algodão e cana-de-açúcar.

ISAAA 2018Todos os pedidos de pesquisa ou comercialização de transgênicos no País são criteriosamente avaliados pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A Comissão só libera um produto transgênico após testes de biossegurança.