O engenheiro agrônomo americano Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz, morreu no dia 12 de setembro, aos 95 anos. Borlaug morreu em decorrência de um câncer, informou um porta-voz da Universidade do A&M do Texas, especializada em agronomia, onde ele trabalhava desde 1984.

Seus trabalhos sobre a reprodução vegetal permitiram aumentar a produção agrícola na América Latina e na Ásia e lhe valeram o reconhecimento internacional. Entre outras coisas, Borlaug trabalhou com variedades de cereais de alto rendimento, contribuindo para evitar a fome em massa nos anos 60.

Suas descobertas lhe valeram o apelido de “pai” do chamado movimento da Revolução Verde e o Prêmio Nobel da Paz em 1970. Era um fervoroso defensor da biotecnologia. “O público deve ser informado melhor sobre a importância da biotecnologia na produção alimentar e será, então, menos crítico”, afirmou, em 2002, em uma entrevista à ActionBioscience.org.

“Norman Borlaug é o homem que mais salvou vidas na história da humanidade “, afirmou neste domingo Josette Sheeran, diretora do Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU, enfatizando que “sua dedicação total à erradicação da fome revolucionou a segurança alimentar de milhões de pessoas em inúmeros países “.

Nascido em 1914 no Iowa (centro), Norman Borlaug começou sua carreira antes da Segunda Guerra Mundial no serviço florestal dos Estados Unidos, depois de estudar na Universidade de Minnesota (norte). Como muitos americanos do Meio Oeste, vinha de uma família originária do norte da Europa. Passou sua infância em uma granja do Iowa, influenciado pelas lições de seu avó norueguês com base no senso comum. Foi o que o levou a se interessar pela alimentação.

“A civilização tal como a conhecemos atualmente não teria podido evoluir nem sobreviver sem uma quantidade suficiente de alimentos”, enfatizou, em seu discurso, ao receber o Prêmio Nobel da Paz.

A partir de 1944, Borlaug iniciou duas décadas de trabalhos junto a cientistas mexicanos para desenvolver uma nova variedade de trigo que seria introduzido em seguida na Índia e no Paquistão. O trigo anão permitiu alcançar rendimentos duas a três vezes superiores aos das variedades clássicas. Segundo os próprios cálculos de Borlaug , permitiu praticamente duplicar a produção de trigo da Índia e Paquistão, entre 1965 e 1970, equivalente a um aumento de mais de 11 milhões de toneladas.

Este êxito, em uma época na qual se temia e antecipava a propagação da fome em grandes proporções, lhe valeu fama mundial e seu trigo anão começou a ser cultivado em toda a América Latina, no Oriente Médio e na África.

Quando ganhou o Nobel, prometeu continuar trabalhando em seu objetivo com “um exército de combatentes da fome durante toda a vida”.

Borlaug recebeu as duas maiores distinções civis nos Estados Unidos: a Medalha da Liberdade concedida pelo presidente dos Estados Unidos e a Medalha de Ouro do Congresso. Também recebeu distinções de inúmeras universidades, da Índia à Bolívia.

Fonte: Agência France Press – 12 de setembro de 2009