O ambicioso projeto de transformar a mandioca em um “alimento completo” obteve um avanço importante. A Nigéria autorizou a realização de testes de campo com uma variedade de mandioca geneticamente modificada (GM) que contém 30 vezes mais betacaroteno (precursor da vitamina A) que a mandioca comum.

Os ensaios foram aprovados pelo Comitê Nacional de Biossegurança da Nigéria. O objetivo final do projeto é que a mandioca não só contenha mais betacaroteno, como também maiores níveis de ferro, proteínas, zinco e vitamina E.

“É um dos projetos mais ambiciosos realizados com um cultivo relevante”, afirmou Richard Sayre, do Centro de Ciências Vegetais Donald Danforth, em St. Louis, no estado norte-americano de Missouri. Sayre participou, em Chicago, da reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

O pesquisador dirige o Programa BioCassava Plus, que teve início em 2005 coordenado pelo Programa Grandes Desafios da Saúde Global. O desafio é conseguir una nutrição completa em um único cultivo. Aproximadamente, 250 milhões de pessoas na África subsaariana — e 800 milhões no mundo — baseiam sua alimentação na mandioca como principal fonte de energia. Mas ela é pobre em nutrientes, vulnerável ao ataque de vírus e dura pouco se não for processada rapidamente.

Além de agregar nutrientes, os pesquisadores estão conseguindo aumentar a resistência da mandioca aos vírus, aumentar seu tempo de prateleira e diminuir o conteúdo de compostos tóxicos, para que ela não seja tóxica mesmo quando não for bem processada.

Os testes de laboratório e a campo têm sido promissores. As concentrações de ferro foram aumentadas quase nove vezes, e de zinco e proteínas aproximadamente quatro vezes, por exemplo. O próximo passo é a realização de testes de campo fechados para avaliar o desempenho agronômico das plantas em diferentes condições.

Segundo Sayre, a Nigéria é o primeiro país a conceder uma autorização para experimentos de campo destas variedades de mandioca. Sua equipe espera poder começar ensaios semelhantes no Quênia até o final deste ano.

Fonte: AgroBio México – 12 de agosto de 2009