A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acaba de lançar duas novas variedades de soja transgênica, especialmente adaptadas às regiões Norte e Nordeste do País.

As novas variedades são importantes porque a soja é uma cultura originária de clima temperado e, devido ao melhoramento genético promovido no Brasil, está cada vez mais presente em regiões de baixa latitude, próximas à linha do Equador.

As cultivares transgênicas da Embrapa, BRS 278RR e BRS 279RR, têm como diferencial a tolerância a herbicidas à base de glifosato, largamente empregado pelos agricultores para o controle de ervas daninhas.

Os estudos de campo revelaram que as sementes transgênicas produzem, em média, 3.600 quilos por hectare (kg/ha) e, no caso da BRS 278RR, foi observada produtividade de até 4.200 kg/ha. Essa vantagem produtiva permite ao agricultor colher o grão mais rapidamente e preparar o terreno para uma nova safra.

Um benefício importante da antecipação da colheita é que, em áreas com incidência da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), o produtor utiliza menos fungicida no combate à praga. Além disso, no caso da BRS 279RR existe a resistência aos nematóides de galha (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica). Essas espécies provocam uma doença comum em todo o País, com ataques à raiz da planta que prejudicam a absorção de nutrientes.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial da oleaginosa, perdendo apenas para os Estados Unidos, e exporta 75% da produção na forma de grão, óleo ou farelo. A safra brasileira dessa cultura atingiu este ano a marca histórica de 60 milhões de toneladas. Desse total, 65% foi composto por soja transgênica.

Além do Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá, México, Uruguai, Paraguai, Japão e África do Sul também cultivam a soja transgênica tolerante ao glifosato. Outros países consomem, mas não cultivam, como é o caso da China.

Fonte: Revista Fapesp – 29 de setembro de 2008