O uso de sementes geneticamente modificadas traz inúmeros benefícios aos cotonicultores de países em desenvolvimento, aumentando a produtividade em até 60%, reduzindo os custos com inseticidas e, conseqüentemente, gerando mais lucros. Esta é a conclusão do estudo “Benefícios do uso de algodão Bt por pequenos agricultores na África do Sul”, publicado recentemente pelos pesquisadores Yousouf Ismael, Richard Bennett e Stephen Morse, da Universidade de Reading, Reino Unido.

O algodão Bt é uma planta desenvolvida pela biotecnologia, que carrega em seu código genético o gene da Proteína Cristal de Bacillus thuringiensis, uma bactéria de solo encontrada naturalmente, que tem ação inseticida contra insetos e pragas que atacam as lavouras. Com o uso da biotecnologia Bt, as plantações de algodão ficam protegidas contra a lagarta alabama (curuquerê), a lagarta-da-maçã e a lagarta rosada. O algodão resistente a pragas é a terceira planta geneticamente modificada mais cultivada no mundo.

O estudo acompanhou randomicamente 100 pequenos agricultores da região de Makhathini, na África do Sul, onde o tamanho das propriedades varia de 1 a 3 hectares e a cotonicultura corresponde a mais de 90% da área cultivada local. Os pesquisadores acompanharam duas safras: a de 1998/1999, com 19 produtores de algodão geneticamente modificado e 81 de variedades convencionais; e a de 1999/2000, quando foram analisados 60 agricultores de algodão Bt contra 40 de variedades convencionais. Em ambas as colheitas, a produção de algodão Bt por hectare foi maior do que as convencionais. Na primeira safra, os que plantaram sementes transgênicas tiveram um aumento médio na produtividade de 18% em relação às convencionais. Em 1999/2000, a diferença saltou para 60% a favor das culturas geneticamente modificadas. Esta variação foi atribuída às fortes chuvas que atingiram a região na última colheita e à umidade que contribuiu para o ataque de lagartas às plantações convencionais. A pesquisa também mostra que nem mesmo o investimento na aquisição das sementes geneticamente modificadas desanimou os pequenos agricultores. De acordo com o estudo, esta despesa foi compensada pela redução nas despesas com inseticidas: 13% na primeira safra e 38% na segunda.

A adoção da biotecnologia pelos pequenos cotonicultores sul-africanos tem crescido a cada ano, atingindo uma área cultivada total de 50.000 hectares, na safra 1999/2000. O algodão BT é cultivado no país desde 1998, quando 12% dos 1.376 produtores de algodão de Makhathini adotaram a variedade geneticamente modificada na safra. Em 1999/2000 este percentual atingiu 40% dos cotonicultores e, em 2000/2001, 60%. Na safra deste ano, estima-se que 95% dos agricultores escolham o algodão Bt, segundo os pesquisadores.

As conclusões da pesquisa coincidem com estudos semelhantes feitos no México e na China. Diante disso, os autores salientam que a “biotecnologia pode gerar novas oportunidades para os pequenos agricultores, apesar da desconfiança de alguns grupos de pressão, da mídia e, às vezes, da própria população”.

Informações adicionais podem ser encontradas no site da AgBioForum, no endereço http://www.agbioforum.org/v5n1/v5n1a01-morse.htm