Um consórcio de cientistas britânicos está desenvolvendo uma variedade de arroz geneticamente modificado com maior poder de fotossíntese – o que, segundo as expectativas, pode ampliar o rendimento da planta em até 50%. Os pesquisadores da Universidade de Sheffield, em parceria com o International Rice Research Institute (IRRI), das Filipinas, estão atentos à sempre crescente demanda asiática para o cereal, uma vez que os índices populacionais da região devem dobrar nas próximas quatro décadas.

A nova pesquisa consiste na seguinte linha de atuação. O arroz (classificado cientificamente como planta C3) usa uma enzima chamada RuBisCO para transformar o dióxido de carbono da atmosfera em um composto com três moléculas de carbono, responsável pela produção da biomassa do vegetal. Mas a enzima também captura moléculas de oxigênio, as quais a planta precisa expelir por meio da fotorespiração. Infelizmente, este processo também causa perda de carbono.

Plantas C4, como o milho, dispõem de uma enzima adicional conhecida como PEP carboxylase, que produz um composto com quatro moléculas de carbono. Tal característica aumenta a concentração de RuBisCO. Conseqüentemente, plantas C4 são 50% mais eficientes na transformação de radiação solar em biomassa. A meta dos cientistas, portanto, é tornar o arroz de C3 para C4, o que aumentaria o rendimento da planta, inclusive com menor uso de água e fertilizantes. O projeto deve ser concluído em 2010.