O Laboratório de Biotecnologia Vegetal da PUC – RS está desenvolvendo estudos que buscam identificar e quantificar os compostos de plantas de interesse medicinal, clonadas por técnicas biotecnológicas. De acordo com a professora Eliane Romanato Santarém, bióloga e Ph.D. em botânica, o trabalho é induzir a multiplicação, em laboratório, de ramos de algumas espécies, com o objetivo de produzir plantas iguais, com genes uniformes, para desenvolver os princípios ativos presentes nessas plantas. “Estamos trabalhando atualmente com hipérico (Hypericum perforatum), carqueja (Bacharis trimera), casca de anta (Drymis) e calêndula (Calendula officinalis), dando prioridade ao estudo dos flavonóides, substâncias presentes em relativa abundância no metabolismo de vegetais”, explica. Como componentes da dieta humana, os flavonóides são mais conhecidos por seu poder antioxidante. Eles protegem os tecidos da ação de radicais livres, que causam o envelhecimento. Além disso, podem contribuir para a prevenção da arteriosclerose, câncer e inflamações crônicas e reduzem o risco de doenças cardiovasculares.

Sobre a técnica utilizada para o estudo, Eliane Santarém afirma que a aplicação da biotecnologia em plantas medicinais, visando ao aumento do conteúdo de princípios ativos, é uma realidade. “A transformação genética tem sido utilizada de duas formas: introduzindo-se genes que codificam novas atividades enzimáticas e reduzindo ou eliminando atividades enzimáticas com o uso de genes invertidos (anti-sense) que codificam essas atividades”.

Além do estudo dos flavonóides, o grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul desenvolve, paralelamente, uma pesquisa que pode contribuir bastante para a melhoria da qualidade de vida dos diabéticos, partindo de uma espécie de planta nativa da região dos Andes: a yacón (Smallanthus sonchifolius). Os tubérculos (tipos de raízes com função de armazenamento) produzidos por esta espécie apresentam baixo valor calórico e tem níveis de glicose muito reduzidos. “A frutose é o açúcar presente em maior quantidade. Nosso laboratório está otimizando o processo de clonagem dessas plantas e avaliando os teores de frutose nas culturas celulares e nas plantas clonadas. Temos obtido resultados que confirmam os altos níveis de frutose no material em laboratório e nos tubérculos das plantas clonadas”, afirma a profª. E completa: “Por meio da biotecnologia, podem ser obtidas plantas com melhor qualidade genética, fitossanitária e nutricional. Se o consumidor pode comprar um produto de melhor qualidade, mais nutritivo e mais barato, certamente vai preferi-lo”.

Para mais informações sobre os estudos, entre em contato com a profª Eliane Romanato Santarém, pelo e-mail esantarem@pucrs.br