Em vez de um estudo focado em apenas um gene, pesquisadores do Hospital John Hopkins, do Framingham Heart Study, e da Rede Nacional de Estudos do Genoma da Alemanha decidiram olhar para todos os 3 bilhões de letras do genoma humano. Essa abordagem, pelo menos para o caso das doenças cardíacas, parece ter dado bons resultados.

Para surpresa dos pesquisadores, um gene que está envolvido com a predisposição encontrada em algumas pessoas de ter um ritmo cardíaco anormal acabou sendo identificado. Essa alteração nos batimentos, por exemplo, é um das causas para a chamada morte súbita, que apenas nos Estados Unidos afeta 300 mil pessoas por ano.

Não existem relatos na literatura científica, como mostra o artigo assinado pelo grupo internacional e publicado na Nature Genetics desta semana (30/4), de que o gene chamado de NOS1AP estaria, de alguma forma, relacionado com as batidas do coração. Os pesquisadores atribuem esse fato ao tipo de análise utilizado para o estudo.

O gene agora conhecido teria influência, mostra a pesquisa, sobre o intervalo QT (tempo que demora uma contração ventricular, que é normalmente de 0,30 segundo). Essa fração do tempo, segundo os médicos, é um dos fatores de risco para a morte súbita.

Enquanto nos corações sadios o intervalo QT costuma ser constante, entre as pessoas com mais predisposição para a morte súbita essa medida de tempo é muito longa ou então muito curta. Os médicos acreditam que pelo menos em um terço dos pacientes cardíacos essa disfunção é uma das primeiras pistas que aparecem.

Fonte: Agência Fapesp – Maio de 2006