Não me toqueSe as plantas pudessem falar, elas definitivamente diriam: Não me encoste! Um novo estudo da universidade australiana de La Trobe revelou que as plantas são sensíveis ao toque. A pesquisa também mostrou que, caso isso aconteça repetidas vezes, o crescimento delas pode ser significativamente prejudicado.

Os cientistas testaram respostas de plantas do gênero Arabidopsis a vários estímulos de toque. Foi observado que, mesmo quando tocadas levemente, esse comportamento desencadeia uma grande resposta genética.

Os resultados desse estudo podem levar a novas abordagens para otimizar o crescimento e a produtividade das plantas cultivadas. O trabalho foi publicado na revista The Plant Journal.


VOCÊ TAMBÉM PODE SE INTERESSAR POR:

Pesquisadores desvendam os mistérios do genoma da cana

Algodão marrom: descoberta de novo gene pode aumentar sua qualidade


Mas por quê as plantas são sensíveis ao toque?

Os pesquisadores explicaram que a razão por trás dessa reação das plantas ao toque ainda está por ser revelada. Um dos motivos pode estar associado à defesa contra o ataque de insetos. Quando um inseto pousa em uma planta, por exemplo, os genes são ativados, preparando a planta para se defender.

“Após um toque, dentro de meia hora, 10% do genoma da planta é alterado. Isso envolve um enorme gasto de energia que é tirado do crescimento das plantas. Se o toque se repetir, o crescimento delas pode ser reduzido em até 30% por cento “, explicou o diretor do instituto de agricultura da universidade e líder da pesquisa, o professor Jim Whelan.


SAIBA MAIS:

Chave para plantas tolerantes à seca pode estar nas folhas

Edição genética produz tomate com mais antioxidantes


Estudo pode abrir portas para reduzir sensibilidade e otimizar crescimento

As descobertas dessa pesquisa levaram a uma compreensão mais profunda dos mecanismos genéticos envolvidos na defesa das plantas. Tudo isso irá contribuir para novas pesquisas que objetivam reduzir essa sensibilidade e otimizar o seu crescimento.

Esse estudo pode ajudar, por exemplo, a desenvolver, por meio do melhoramento genético e da biotecnologia, variedades que sejam menos sensíveis ao toque, porém, mantendo sua sensibilidade a outros fatores, como o frio e o calor.

A pesquisa foi realizada usando a espécie Arabidopsis thaliana, mas é muito provável que seja aplicável à maioria das plantas e culturas. Mesmo assim, os próximos passos da pesquisa serão testar a resposta ao toque em outras espécies.

Fonte: The Plant Journal, Redação CIB, janeiro de 2019.