Após ter identificado proteínas específicas em pacientes com leucemia mielóide crônica (LMC) e proteínas somente expressas em doadores sadios, equipe de pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) descobriu um gene importante no processo de evolução da doença da fase crônica para a fase aguda.

Resultante de uma lesão adquirida (não hereditária) no DNA de uma célula-tronco da medula óssea, a LMC se caracteriza, na maioria dos casos, pela presença do cromossomo Philadelphia (Ph), uma anormalidade genética descoberta em 1960 por Peter Nowell, da Universidade da Pensilvânia, e David Hungerford, do Instituto de Pesquisa do Câncer Fox Chase, nos Estados Unidos.

Agora, o grupo da Divisão de Laboratórios do Centro de Estudos de Medula Óssea (Cemo), do Inca, no Rio de Janeiro, vem dando passos significativos no estudo da LMC – responsável por cerca de 15% de todas as leucemias.

Num primeiro momento, o grupo, liderado pela biofísica Eliana Abdelhae, identificou 22 proteínas específicas de pacientes com a doença e outras nove proteínas expressas somente em doadores sadios. O trabalho foi publicado na revista americana Biochimica et Biophysica Acta (BBA – v. 1764).

“Comparamos o perfil protéico de células mononucleares da medula óssea de pacientes com o perfil protéico de doadores e identificamos proteínas que são superexpressas num determinado tipo de célula. Essas proteínas são o que chamamos de biomarcadores, isto é, podem definir um portador da doença ou não”, disse Eliana à Agência FAPESP.

Eliana começou a pesquisa há cinco anos, no Departamento de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e hoje trabalha com mais de 100 pacientes no Inca. Segundo ela, a investigação visa a identificar marcadores da fase crônica da leucemia para auxiliar médicos e especialistas para evitar as fases agudas da doença.

“A LMC evolui para a leucemia aguda por meio das crises blásticas. Procuramos descobrir o que faz um paciente entrar nessas crises”, explica a biofísica. Normalmente, as células da medula óssea, denominadas blastos, ao amadurecer se transformam em diversos tipos de glóbulos, os quais possuem funções específicas no corpo. A leucemia mielóide crônica afeta os blastos que estão se transformando em glóbulos brancos do tipo granulócitos. Esses blastos não amadurecem e se multiplicam, migrando para o sangue.

Fonte: Agência FAPESP, Washington Castilhos (Rio de Janeiro) -05/12/2006