Werner Arber, que descobriu as enzimas de restrição, afirma que a engenharia genética é importante para a saúde alimentar

O prêmio Nobel Werner Arber é o homenageado do Congresso Brasileiro de Genética, que acontece de 30 de agosto a 02 de setembro, em Águas de Lindoia (SP). Em visita ao Brasil, o cientista afirmou que as eventuais críticas aos alimentos geneticamente modificados têm motivação principalmente política. “A engenharia genética é importante tanto para a saúde alimentar quanto para ajudar a tornar as lavouras mais resistentes a pragas e mais adaptadas a fenômenos relacionados às mudanças climáticas”, disse.

Arber também afirmou que a biotecnologia pode contribuir para melhorar o valor nutricional de um alimento, por exemplo, desenvolvendo um arroz com vitamina A ou selecionando plantas mais aptas.

O pesquisador suíço descobriu as denominadas enzimas de restrição, que fragmentam o DNA. Em parceria com outros dois cientistas, Arber mostrou que essas enzimas “cortam” o material genético e revelou como ocorre o processo. Nos anos 1960, ele estudou como as bactérias distinguem seu próprio DNA do DNA de outros organismos que penetram nas células por meio de infecções virais. O cientista descobriu que há enzimas que permitem essa alteração e as de restrição que, quando ativadas, protegem as células quebrando o material genético do vírus em pequenas partes. Seu estudo marcou a nova era da manipulação genética e lhe rendeu o prêmio Nobel de Medicina em 1978.

Arber, de 82 anos, afirma com entusiasmo que a engenharia genética seria uma forma de acelerar o que já ocorre na natureza, como uma expansão da teoria da seleção natural, de Darwin.

Fonte: IG – Agosto de 2011