O último Workshop Instrumentação e Automação Agrícola e Agroindustrial na Cadeia Cana-Etanol concluiu que 10% de toda a gasolina consumida mundialmente pode ser produzida no Brasil, desde que haja tecnologia empregada no campo de na cana-de-açúcar. O evento foi realizado de acordo com o Projeto de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP) da Cadeia Cana-Etanol, apoiado pela FAPESP em novembro, na Embrapa Instrumentação Agropecuária.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de etanol com base no milho, enquanto o Brasil está em segundo lugar, com produção derivada da cana-de-açúcar. Ainda assim, precisaríamos cultivar cerca de 35 milhões de hectares de cana-de-açúcar.

“Mas, com a introdução das novas tecnologias no campo, seja em instrumentação e automação agrícola ou na pesquisa genômica da cana-de-açúcar, esse número poderá cair para 20 milhões de hectares ou menos. Por isso, é fundamental identificar as principais necessidades de pesquisa para que possamos nos consolidar como o maior produtor mundial de etanol”, disse Luís Augusto Barbosa Cortez, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do PPPP da Cadeia Cana-Etanol.

A planta é composta por três partes: a sacarose, a palha e o bagaço, sendo um terço para cada uma. O açúcar é bem utilizado, mas os dois últimos ainda não. De acordo com o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, “Trabalhar o conceito de cana-energia é o grande desafio da ciência hoje”.

Ainda assim, o Brasil lidera com folga, em se tratando de números de artigos científicos publicados referentes às pesquisas com cana-de-açúcar. O Estado de São Paulo disputa a segunda colocação com os Estados Unidos.

Em relação a artigos científicos relacionados ao etanol extraído da biomassa, o Brasil ocupa a terceira posição. Já quanto às pesquisas de etanol de segunda geração, o país está fora das três primeiras colocações. Os EUA lideram em ambos os casos. Os setores público e privado têm se esforçado quando o assunto é biocombustível. É o conhecimento científico que vai estimular políticas públicas e o investimento de recursos”, afirmou Orlando Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

A instrumentação e a automação agrícola na produção do etanol a partir da cana-de-açúcar foram os principais temas debatidos durante o workshop.

O que tem sido desenvolvido nas universidades, institutos de pesquisa, departamentos de pesquisa e empresas do setor de cana, açúcar e álcool foi apresentado no evento.

O objetivo do workshop foi propor diretrizes, estratégias e políticas para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo

O projeto abrange a cadeia produtiva da cana, açúcar e álcool, concentrando os estudos em quatro vertentes: agrícola (melhoramento genético, tecnologia de colheita); industrial (gestão, hidrólise); produtos (alcoolquímica, etanol, energia); e ambiente externo (mercado nacional e internacional, oferta e demanda).

O resultado desses temas deverá contemplar toda a cadeia produtiva e oferecer subsídios para a elaboração de políticas públicas para o setor, além de contribuir indiretamente para a formação e capacitação de profissionais para atuar administrativamente.

Fonte: Fapesp 01.12.2008