A empresa de biotecnologia americana Viragen desenvolveu um projeto para produção de proteínas humanas de uso terapêutico em parceria com o Instituto Roslin, situado na Escócia. Este projeto visa a utilização de animais geneticamente modificados para a produção de medicamentos no combate a algumas doenças humanas. O instituto, após anos de pesquisas, criou cinco gerações de galinhas transgênicas que têm a capacidade de produzir essas proteínas na clara dos ovos.

Os pesquisadores coletaram os embriões das aves em um estágio inicial de desenvolvimento e antes que se iniciasse a formação da casca do ovo. Estes embriões receberam um vírus modificado, contendo o gene humano com a informação genética para a produção de proteínas humanas de interesse dos pesquisadores. Estes vírus são conhecidos como Vetores de Clonagem e têm o papel de transportar e inserir esses genes no DNA das aves, mais precisamente no gene que produz a albumina, o que explica o aparecimento dessas proteínas na clara dos ovos.

O potencial de utilização dessas proteínas na produção de medicamentos para o tratamento de doenças humanas é muito grande, como por exemplo, o anticorpo monoclonal mir24 que pode ser utilizado em medicamentos para o tratamento do melanoma (tipo de câncer de pele) e a artrite.

Outra proteína com potencial terapêutico é o interferon, um agente antiviral utilizado em medicamentos para o combate a determinados tipos de vírus. O interferon é uma substância naturalmente produzida pelos leucócitos (células especializadas do sistema imunológico), para melhorar a resistência do corpo contra doenças. Essa substância caracteriza-se por interferir no crescimento dos vírus.

De acordo com o projeto da empresa Viragen a produção de proteínas terapêuticas a partir de aves geneticamente modificadas apresenta inúmeras vantagens, tais como a produção dessas proteínas em larga escala e com redução no custo, quando comparada com os métodos tradicionais, como por exemplo, a produção da insulina a partir de bactérias. Alguns tipos de proteínas só conseguem ser sintetizadas a partir de células mais complexas presentes em organismos maiores como vem ocorrendo em pesquisas com cabras e outros animais trangênicos.

Um dos aspectos que favorecem a utilização das aves na produção de proteínas terapêuticas é a presença de açúcares nas proteínas (glicoproteínas) dos ovos das galinhas, os quais são muito similares aos dos seres humanos. Esse aspecto é vantajoso para pacientes que podem desenvolver algum tipo de reação que pode anular os efeitos benéficos de um medicamento, como exemplo.

Vetores de Clonagem

Quando se quer isolar algum gene de interesse utilizam-se técnicas de clonagem molecular, pelas quais se induz um organismo a amplificar a seqüência de DNA de interesse de forma que se possa purificar e recuperar o fragmento (gene) desse DNA. Nesta técnica são utilizados os vetores de clonagem, que podem ser vírus ou plasmídeos, nos quais é inserida a seqüência de DNA de interesse utilizando-se a enzima DNA ligase. Uma vez liberado do vetor pelas enzimas de restrição, o gene de interesse é incorporado ao genoma do organismo em questão, originando um organismo geneticamente modificado.

Fonte: Equipe Biotec AHG – 23 de janeiro de 2007