Características únicas encontradas no genoma de ratos silvestres podem ter implicações importantes sobre o atual entendimento da genética, em particular no desenvolvimento da terapia gênica. Uma pesquisa da Purdue University, nos estados Unidos, mostrou que o rato silvestre (também conhecido como vole) não é apenas o animal em mais rápida evolução, como também contém diversas características genéticas que desafiam a compreensão científica. Para se ter uma idéia, os voles estão evoluindo de 60 a 100 vezes mais rápido que a média dos vertebrados.
Algumas das características genéticas peculiares dos ratos silvestres: o cromossomo X, um dos dois determinantes do sexo (o outro é o Y), contém cerca de 20% do genoma todo. Os cromossomos sexuais normalmente contêm muito menos informações genéticas;  fêmeas possuem grandes porções do cromossomo masculino Y; machos e fêmeas têm diferentes números cromossômicos, característica incomum em animais.
Para Andrew DeWoody, co-autor do estudo, “o vole é um grande sistema modelo que poderia ser usado para estudar muitos fenômenos naturais que podem ter impacto sobre os humanos”. Sua pesquisa foca o genoma mitocondrial, o conjunto de DNA dentro do compartimento celular responsável por gerar energia – a mitocôndria. Alguns dos trabalhos adicionais do pesquisador exploram a habilidade única do DNA mitocondrial dos ratos silvestres de se inserir no DNA no núcleo da célula. O genoma nuclear, como é conhecido, contém a maioria do DNA de uma célula e é responsável por controlar as funções e o desenvolvimento celulares.

“O trabalho nesta área pode potencialmente ter algum impacto sobre a ciência básica dos mecanismos de transferência de genes, como aqueles utilizados na terapia gênica”, disse DeWoody. Nesta terapia relativamente nova, o tratamento envolve a inserção de genes nas células do paciente humano a fim de combater alguma desordem ou doença, como a hemofilia. Entretanto, ainda é difícil de inserir o gene desejado no local correto, ou em um local onde ele realize sua função.

Fonte: Purdue University News – – 15 de Setembro de 2006