O relatório Indicadores Ambientais – Keystone Center  é o primeiro a estabelecer parâmetros para medição da agricultura sustentável, e foi  desenvolvido com o objetivo de informar o progresso da produção agrícola no que diz respeito aos impactos ambientais. O documento foi lançado pela organização Field to Market, a Aliança Keystone para a Agricultura Sustentável , que congrega diferentes players da cadeia de alimentos nos Estados Unidos, incluindo associações de produtores, do agronegócio, das indústrias de alimentos e de organizações de conservação ambiental.    

Utilizando dados publicamente disponíveis, uma avaliação métrica em escala nacional foi desenvolvida considerando os seguintes fatores ambientais: uso do solo, uso de águas para irrigação, uso de energia e impacto climático (emissões de gases estufa). A avaliação métrica se aplica aos quatro cultivos/commodities principais: milho, algodão, soja e trigo, os quais ocupam quase 70% dos 305 milhões de acres de terras agrícolas existentes nos EUA.  O período compreendido pelos resultados é 1987 – 2007.    
“Estão surgindo várias tendências. Com destaque, a agricultura de produção se tornou cada vez mais eficiente, passando a depender menos de insumos para produzir mais. No entanto, sabemos que há importantes desafios a vencer para atendermos a uma maior demanda global de maneira sustentável,” diz Michael Reuter, diretor dos programas de conservação ambiental da organização The Nature Conservancy para a região central dos Estados Unidos. “Estas métricas, ou parâmetros de medição, serão expandidas para definir outros atributos da produção agrícola sustentável e constituirão a base para os estudos que analisarão ainda outros fatores ambientais, socioeconômicos e de saúde. 

O indicador inicial nos mostra que as tendências em eficiência no controle de perdas de solo melhoraram substancialmente, entre 30% e 70%, para os quatro cultivos avaliados. O uso de energia nas culturas de milho, soja e algodão caiu entre 40% a 60%. O uso de água para irrigação também teve redução de 20% a 50%, enquanto as emissões de carbono caíram por volta de um terço (33%) nos três cultivos. Estes resultados pretendem proporcionar informações significantes e confiáveis para orientar a tomada de decisões informadas e permitir o acompanhamento de tendências ao longo do tempo. Um relatório sobre a ‘próxima geração’ irá avaliar os indicadores de qualidade de água e biodiversidade.

O objetivo do Keystone Center com a elaboração do levantamento foi o de desenvolver metodologias para avaliar os efeitos resultantes ambientais, socioeconômicos e sobre a saúde da prática agrícola nos Estados Unidos. O objetivo final é o de criar um ‘ Índice de Sustentabilidade’, que facilitará a quantificação e identificação de áreas-chave de impacto e as tendências ao longo do tempo, fomentará o diálogo amplo dentro da indústria e promoverá progressos continuados no que diz respeito à sustentabilidade.
O relatório não menciona o termo biotecnologia, nem tampouco atribuiu nenhum dos avanços na sustentabilidade a nenhum fator específico. Entretanto, é possível concluir que essa tecnologia tem um papel-chave nos progressos identificados.
Vale lembrar que os cultivos transgênicos nos EUA já vem sendo adotados há 13 anos e, de acordo com os dados do Serviço para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), os EUA plantaram 57,7 milhões de hectares em 2007 (equivalente a 50% dos transgênicos adotados no mundo) e apresentou um aumento da renda agrícola de US$ 15,9 bilhões.
Além de suas conclusões, o relatório é significativo por seu direcionamento para a criação de uma metodologia abrangente que possa se tornar o parâmetro para a mensuração da sustentabilidade agrícola. A Field to Market realizou um amplo processo de revisão por profissionais ‘peer’ (colegas), que incluiu 17 especialistas atuantes em universidades, governo e outras instituições para ajudar no aprimoramento da metodologia. 

“O processo de revisão por pares permitiu agregar muitos pontos de vista novos e diferentes ao corpo do trabalho, permitindo a elaboração de um produto bem objetivo,” diz Marty Matlock, diretor de área do Center for Agricultural and Rural Sustainability (Centro para a Sustentabilidade Agrícola e Rural) da Universidade de Arkansas, o qual incorporou ao trabalho os comentários apresentados por estes profissionais.  “O aspecto mais valioso do trabalho do grupo tem sido o de reunir interesses dos mais diversos e de criar um entendimento e aceitação mútua das respectivas preocupações individuais.” 

Destacadamente, a Field to Market busca trabalhar com agricultores para identificar e criar melhores práticas capazes de impulsionar melhorias futuras. A Aliança (Field to Market) está dando início a um diálogo com toda a indústria visando melhorias contínuas na produção de alimentos e fibras economicamente e ambientalmente amigáveis. O grupo também está criando uma calculadora online para ajudar os produtores individuais (independentes) a avaliarem a eficiência de suas operações, junto com orientação de especialistas e de outros produtores sobre a catalogação que ajudará a avançar futuros esforços visando a sustentabilidade.    

“Cada vez mais, somos procurados por nossos consumidores que querem optar por alimentos e fibras sustentáveis,” diz John Wolf, vice-presidente da área de ingredientes, commodities e administração de risco da Kellogg Company. “É importante que os consumidores entendam o progresso que já está ocorrendo enquanto se reconhece que reunir toda a cadeia de suprimentos é fundamental para continuar a avançar dos campos de plantio até as gôndolas dos supermercados.”  

www.keystone.org/spp/env-sustain_ag.html.
Field to Market, a Aliança Keystone para a Agricultura Sustentável, define a sustentabilidade agrícola como o atendimento às necessidades do presente enquanto se melhora a capacidade de alimentar gerações futuras através de foco no aumento da produtividade agrícola, junto com a diminuição do impacto ambiental, melhorando
a saúde humana através do acesso a alimentos seguros e nutritivos e da melhoria do bem-estar social e econômico das comunidades rurais. A Aliança é facilitada pelo Keystone Center, uma organização neutra, apartidária, sem fins lucrativos especializada em processos decisórios colaborativos em questões de política ambiental, energética e de saúde.

Field to Market inclui: American Farm Bureau Federation; American Soybean Association; Bayer CropScience; Bunge; Cargill, Incorporated; ConAgra Foods; Conservation International; Cotton Incorporated; DuPont; Fleishman-Hillard; General Mills; Grocery Manufacturers Association; John Deere; Manomet Center for Conservation Sciences; Mars, Incorporated; Monsanto Company; National Association of Conservation Districts; National Association of Wheat Growers; National Corn Growers Association; National Cotton Council of America; National Potato Council; Syngenta; The Coca-Cola Company; The Fertilizer Institute; Kellogg Company; The Nature
Conservancy; United Soybean Board; and World Wildlife Fund.
Confira alguns dados do estudo, por cultivo:
Milho
• O aspecto ‘ganhos gerais em produtividade’ no milho foi mais robusto do que em outros cultivos com ganhos em produtividade de, em média, 2,5 sacas por hectare por ano ou, aproximadamente, 1,5% por ano, baseado em níveis recentes de produtividade;
• Ao longo de um período de vinte anos, de 1987 a 2007, a produtividade no milho teve aumento de 41% (em sacas por acre). Durante o mesmo período, a área plantada com milho aumentou 21%;
• Os ganhos de produtividade do milho possibilitaram uma redução de 37% na quantidade de terra necessária para se produzir uma saca (25 kg) do grão; 
• A perda de solo acima do nível tolerável (T) devido à produção de milho foi reduzida de maneira significativa em todas as regiões dos Estados Unidos, com uma diminuição de 43% em toneladas perdidas por acre;
• A eficiência de irrigação por saca de milho diminuiu 27%.
• A energia utilizada para a produção de uma saca, ou seja, de uma unidade de milho, diminuiu em 37%; 
• O milho apresentou um aumento em nível de emissões de CO2 por acre de 8% e uma diminuição de 30% em emissões por saca. 
Algodão
• A produtividade do algodão (rendimento por acre) aumentou 31 %, devido, em parte, ao avanço significativo na tecnologia de sementes.   
• A quantidade de terra necessária para produzir uma libra (454 g) de algodão diminuiu em 25%;
• A perda de solo por acre devido à produção de algodão diminuiu 11%. A perda de solo por libra de algodão diminuiu 34%;
• A quantidade de água aplicada na produção de algodão diminuiu 32%. Essa redução ocorreu no mesmo momento em que a produtividade de algodão atingia níveis recordes. O uso de água de irrigação por libra (peso) de algodão caiu 49% ao longo dos últimos 20 anos; 
• Produtividades aumentadas coincidindo com uma redução de 47% do uso de energia por acre levaram a uma diminuição de 66% no uso de energia por libra de fibra;
• As emissões de CO2 por acre diminuíram 9%, enquanto as emissões por libra de fibra caíram em 33%. A forte adoção de técnicas de plantio direto ao longo da última década também ajudou a reduzir as emissões de carbono, em termos líquidos.   

Soja
• A utilização de sementes resistentes a herbicidas para o controle de ervas daninhas tornou-se o padrão, enquanto, simultaneamente, se deu a adoção significativa de práticas agrícolas de plantio direto; 
• A produtividade da soja (rendimento por acre) aumentou 29%, enquanto sua área plantada aumentou em 31%. O resultado disso foi uma redução de 26% na utilização de solo para o cultivo da soja por saca.
• Os indicadores de perda de solo pelo cultivo da soja melhoraram ao longo do tempo, com uma redução de 31% na perda de solo por acre e redução de 49 % na perda de solo por saca;
• O uso de irrigação no cultivo da soja é limitado; 
• O uso de energia por acre no cultivo da soja diminuiu em 48%, enquanto o uso de energia por saca diminuiu 65%.
• A soja apresentou a mudança mais dramática em relação aos insumos utilizados, particularmente em relação a herbicidas e combustível para o preparo da terra;
• O balanço líquido de carbono por acre diminuiu em 14%, em geral. As emissões de CO2 por saca diminuíram 38%.

Trigo

• Um crescimento mínimo em produtividade reduziu a competitividade do trigo em relação a culturas alternativas e contribuiu para a perda de área plantada;
• A produtividade do trigo (rendimento por acre) aumentou em 19%. A utilização de terras para o cultivo do trigo nos Estados Unidos caiu 24%, enquanto o uso do solo por saca variou, com uma diminuição média, em geral, de 17%;
• Grande parte da pesquisa com sementes de trigo tem focado questões relativas à qualidade e não à produtividade ou avanços tecnológicos; 
• A eficiência em relação à perda de solo melhorou dramaticamente, por volta de 50%; 
• A água aplicada por acre de trigo aumentou 17%. A produtividade no trigo irrigado é quase o dobro do rendimento dos plantios não irrigados (de sequeiro).  Portanto, a tendência no indicador para eficiência é, de modo geral, de estabilidade;
• O uso de energia oscilou devido à maior utilização de nitrogênio e pouca resposta em relação à produtividade. Isto ocasionou um aumento geral de 8% em energia por acre e uma diminuição de 9% em energia por saca;
• O indicador de clima para o trigo mostra um aumento em emissões de CO2 por acre e por saca de produção ao longo do tempo, resultando em um aumento de 34% nas emissões por acre e um aumento de 15% em emissões por saca. 

Tradução e adaptação do release oficial de divulgação do estudo e de matéria publicada pelo site americano Growers for Biotechnology.

Fonte:  Keystone – 12 de janeiro de 2009