O executivo-chefe da Tesco, maior companhia varejista de alimentos da Inglaterra, Terry Leahy, admitiu que os supermercados do Reino Unido aderiram à idéia, que estava na moda à época, de não utilizar organismos transgênicos nas suas prateleiras muito rapidamente. Contudo, Leahy confirmou que a Tesco está pronta para reabrir a discussão sobre a utilização de alimentos derivados de organismos geneticamente modificados (OGMs).

Em um debate ocorrido em Londres, Leahy afirmou que pode ter sido uma falha não ter colaborado com a ciência. “Talvez seja uma oportunidade para discutirmos novamente o uso de OGMs e aumentar o entendimento das pessoas de que eles podem ter um papel vital (em relação a alimentar a população, que continua crescendo em um mundo onde o clima está mudando)”.

O ex-presidente da Agência Regulatória de Alimentos do Reino Unido, professor John Krebs, que também participou do debate, disse: “A tragédia moral foi que a tecnologia dos OGMS não foi adotada na África por causa do preconceito dos europeus”.

O Presidente da União Nacional de Fazendeiros da Inglaterra, Peter Kendall, ressaltou a ironia de que os animais da América do Sul são nutridos com rações que contêm plantas transgênicas não autorizadas na Europa, e ainda assim, a carne é importada pela União Europeia (EU) e com preço mais competitivo.

As lavouras de OGMs estão se ampliando ano a ano no mundo. Isso significa que manter uma política de não utilização de OGMs em ração animal estava se tornando uma operação extremamente cara e impraticável, segundo a Confederação das Indústrias de Agronegócios (AIC).

O presidente da AIC, Tony Bell também afirmou que “duplicar a produção de soja não geneticamente modificada atenderia a apenas 13% da demanda da Europa deste grão”.

Um relatório publicado em janeiro pela Royal Society de Químicos e pelo Instituto de Engenheiros Químicos advoga a favor do desenvolvimento de plantas GMs em relação: a suportar as mudanças climáticas do planeta, ao aumento da fixação de nitrogênio, à melhora da nutrição por meio da produção de mais vitaminas e óleos com omega-3. Também trata do uso de fertilizantes mais eficientes, da redução de fatores anti-nutritivos, da resistência de plantas a pragas e doenças e, sobretudo, menciona a questão do enriquecimento nutricional dos alimentos, produtos que possam ser usados como alimentos básicos com preços compatíveis para serem consumidos por uma população mundial que não pára de crescer.

Sobre os relatórios, a secretária de estado Hilary Benn, do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Problemas Rurais, disse: “Se nós formos alimentar mais 3 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos, precisaremos de ajuda da ciência.”

Dame Suzi Leather, coordenadora do Conselho de Consultores em Políticas Alimentares, adicionou: “Não podemos continuar com este pensamento polarizado de que a ciência moderna tem todas as respostas ou nenhuma delas.”

Fonte: Food Manufacture 02.02.09