Crédito: Paul Darrow/NYT/Redux/eyevine

Agosto de 2017 vai ficar marcado como o mês em que, pela primeira vez, um animal geneticamente modificado (GM) chegou ao consumidor. Vendido apenas no Canadá desde o dia 4, a comercialização do peixe transgênico acontece após mais de 25 anos de pesquisas, rigorosos testes de biossegurança e aprovação das autoridades norte-americanas e canadenses. As agências reguladoras dos dois países também consideraram o produto seguro para o meio ambiente.

O peixe, uma variedade de salmão do Atlântico (Salmo Salar), foi geneticamente modificado para crescer mais rápido que outros da espécie, atingindo o tamanho para comercialização em aproximadamente metade do tempo, ou seja, 18 meses. A estratégia de transformação envolveu a inserção do gene responsável pelo hormônio do crescimento de outro salmão, o Chinook (Oncorhynchus tshawytscha). Além disso, o animal recebeu reguladores genéticos do peixe-carneiro-americano (Zoarces americanus).

Um dos benefícios do salmão GM é o fato de ele ser cultivado em tanques isolados, evitando o contato com doenças e aproximando a produção do consumidor, uma vez que os peixes não teriam que, necessariamente, ser transportados das zonas costeiras para as cidades. Além disso, o crescimento acelerado poupa recursos naturais, aspecto importante num momento em que a população mundial atinge números impressionantes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta terá 10 bilhões de pessoas em 2050.

A diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, lembra que, embora o aspecto da sustentabilidade seja importante, os cientistas estão preocupados principalmente com a biossegurança. “O salmão, assim como qualquer outro transgênico, só foi liberado para o consumo após rigorosos testes que comprovaram sua segurança para a saúde humana e para o meio ambiente”, afirma.

Aprovação nos Estados Unidos

O Canadá é primeiro país em que o salmão transgênico está sendo vendido, mas o produto já recebeu sinal verde dos Estados Unidos. A Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que regula alimentos e medicamentos, aprovou o peixe GM em novembro de 2015, embora ele ainda não esteja disponível para comercialização nos EUA.

 

Fonte: Nature, agosto de 2017.