Pesquisadores da Univ. do Texas (EUA) desenvolveram plantas de algodão geneticamente modificado (GM) cujas sementes podem ser usadas como alimento.

Sementes de algodão são uma rica fonte de proteína. No entanto, só podem ser consumidas após um extenso processo de refinamento que remove o gossipol, uma substância tóxica que ajuda a proteger a planta da infestação de insetos e microrganismos.

“Nós, assim como suínos e aves, não podemos ingerir o gossipol”, diz Kater Pescada, vice-presidente de pesquisa agrícola do Grupo Cotton Inc. “Só as vacas e outros ruminantes pode fazê-lo”.

O professor Keerti Rathore, da Univ. do Texas, encontrou uma solução usando a engenharia genética. Nos testes, sua equipe mostrou que eles podem desligar os genes envolvidos na síntese de gossipol nas sementes, mas não o resto da planta, mantendo assim as suas defesas naturais.

Depois de obter bons resultados em laboratório, Rathore deu início aos ensaios em estufa para verificar se as plantas de algodão GM poderiam sobreviver e transmitir a característica desejada aos descendentes. Segundo os estudos, as plantas modificadas são equivalentes ao convencional, exceto pela ausência do gossipol nas sementes. Otimista com os resultados, o cientista acredita que os experimentos são promissores e devem funcionar também no campo, onde os ensaios já começaram.

O consumo mundial de algodão em 2008/09 deve atingir 119,3 milhões de fardos. Pelo o terceiro ano consecutivo, o consumo será maior do que a produção da fibra. No Brasil, a área plantada com o algodão na safra 2008/09 foi de 856,6 mil hectares, redução de 20,5% em relação aos 1.077,4 mil hectares plantados em 2007/08 (CONAB, 5º acompanhamento de safra – fevereiro/2009).

Fonte: AgriLife News – 25 de setembro de 2009