tubarão brancoOs tubarões-brancos existem há mais de 400 milhões de anos e, assim como os humanos, podem viver em média 75. Essa longevidade, teoricamente, faz deles uma espécie mais propensa a doenças ligadas ao envelhecimento, como o câncer. Entretanto, estudos mostram que o animal é resistente à doença e o segredo disso pode estar em seus genes ancestrais. Após anos decodificando seu DNA, cientistas da Save Our Seas Foundation Shark Research Centre realizaram o primeiro mapeamento do grande genoma de tubarão branco e descobriram que sua habilidade de reconstruir o seu próprio DNA evoluiu, enquanto a dos seres humanos não.

Dentre os achados de sequenciamento genético, foi identificado que a espécie apresenta habilidades superiores de combate às células cancerígenas devido a presença de grupos de genes que servem para proteger a integridade do próprio código genético. Essa capacidade é resultado de um longo período de evolução e esses genes provavelmente representam defesas anticâncer totalmente novas. Ainda segundo especialistas do estudo, o tubarão-branco possui versões exclusivamente adaptadas de genes que codificam agentes de coagulação do sangue sobrecarregados e proteínas responsáveis ​​por estabelecer as unidades fundamentais da sua nova carne. Com isso, dedica uma proporção significativa de seu genoma à cicatrização de feridas, tornando-se mais resistente.


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Como a incidência de câncer em tubarões selvagens é pouco conhecida, os cientistas planejam testar a hipótese em laboratório. Com isso, irão unir genes de tubarão estabilizadores do genoma em camundongos transgênicos e depois expor os roedores a agentes cancerígenos conhecidos para medir os poderes protetores do DNA do tubarão. No entanto, esse, que pode vir a ser um grande benefício para os seres humanos, demandará anos de trabalho para ser traduzido em possíveis medicamentos contra o câncer ou em novos métodos para curar feridas humanas.

O DNA de tubarões é uma vez e meia mais longo que o de seres humanos, o que significa que há coisas que esses animais conseguem fazer que humanos não conseguem. No entanto, cientistas esperam, por meio da biotecnologia, desvendar esses segredos e usá-los para tratar problemas que o DNA já está resolvendo nos tubarões.

 

Uso da biotecnologia também pode evitar extinção do tubarão branco

Apesar de sua resistência ao longo de tantos anos, a população de tubarões brancos está em declínio devido à indústria pesqueira ilegal, que mata cerca de 100 milhões de tubarões por ano. Segundo Adriana Brondani, doutora em biologia molecular e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), os avanços no mapeamento o sequenciamento genético do animal podem, além de contribuir com o avanço da ciência no que tange a busca pela compreensão dos fatores de resistência desse animal, evitar sua extinção.


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“A biotecnologia tem se mostrado fundamental no processo de compreensão dos diferenciais genéticos do tubarão-branco que podem, no futuro, ser fundamentais no processo de evolução de medicamentos de doenças atribuídas a longevidade, mas mais do que isso, vem contribuindo para que pesquisadores esclareçam o quão notáveis ​​são essas criaturas. É preciso inspirar as pessoas a conservá-las em vez de consumi-las e promover a conscientização de que adquirir produtos de tubarão não conferirá nenhuma de suas superpotências.”, diz Adriana.

Das mais de 500 espécies de tubarões que nadam nas águas da Terra, o grande branco é o segundo a ter seu genoma sequenciado. Quem sabe quantos mais mistérios se escondem abaixo da superfície, em cadeias de DNA apenas esperando para serem decodificadas.

 

Fonte: Redação CIB