O CIB, entre outros vários segmentos da sociedade, estiveram reunidos no últimos dias 27 e 28, em Brasília, para validar uma metodologia de participação pública inédita no Brasil, que possibilite o envolvimento da sociedade no debate científico sobre os transgênicos. A iniciativa é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O grupo que coordena os trabalhos conta não somente com membros da Embrapa como também do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O projeto piloto tem como estudo de caso o feijão resistente ao mosaico dourado, desenvolvido pela Embrapa. O mosaico dourado é um vírus que ataca a cultura do feijão e ocorre em quase todas as regiões brasileiras podendo causar perdas de até 100% na produção. A coordenadora do projeto, Julia Guivant, da UFSC, explica que a proposta é fazer com que a sociedade deixe de ser mera ouvinte e passe a fazer parte ativamente do processo de discussão sobre assuntos polêmicos como os transgênicos.“É uma oportunidade de resgatar o diálogo entre vários setores como consumidores, produtores, acadêmicos, indústrias, respeitando o ponto de vista de cada um.” Julia explicou, ainda, que apesar de no Brasil a participação da sociedade nesses discursos ser uma novidade, em outros países isso já se pratica há muito tempo.

Para a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Deise Capalbo, nada melhor que avaliar os impactos sociais de uma pesquisa, ouvindo as considerações daqueles que vão ser diretamente afetados pelo produto. “Com isso será possível enxergar quais as preocupações da sociedade, buscar respostas, criar mecanismos eficientes de como chegar na população, quais os principais pontos a serem esclarecidos, quais pesquisas desenvolver, enfim tornar o processo mais eficiente”, relatou. Durante a abertura dos trabalhos, foram realizadas apresentações sobre a situação socioeconômica do feijão, os problemas do feijão com mosaico dourado e o feijão transgênico, que se encontra em estágio de testes de campo, aguardando aprovação da Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio) para liberação comercial ainda este ano.

Para a presidente da Associação das donas de casa de Goiás, Maria das Graças Santos, apesar de ser algo novo, o momento é de conhecer e aprender sobre o assunto. “O feijão é um dos produtos mais importantes para nós donas de casa que nos preocupamos com a possibilidade dele desaparecer da nossa mesa, por isso vou aproveitar ao máximo a oportunidade e levar o maior número de informações possível para as colegas de todo o Brasil”. Maria das Graças afirmou ainda que o perfil das donas de casa é diferente de anos atrás. “Estamos saindo detrás dos tanques e fogões e correndo atrás de aprender sobre as coisas que nos interessam, e os transgênicos são uma delas.”

Os produtores também avaliam positivamente a iniciativa. Segundo o representante dos produtores de feijão de Paracatú (MG), Jeferson Appel, o debate vai possibilitar acabar com o mito de que os transgênicos vai trazer algum mal para a sociedade. “Minha expectativa é muito boa. Eu espero que os frutos dessa oficina venham a contribuir para poder acelerar a liberação de feijão transgênico no Brasil.”

Fonte: Embrapa e Página Rural (RS) – 27 de março de 2008