O azeite extravirgem é mundialmente conhecido por ser um óleo mais saudável e estar relacionado à redução do nível de colesterol e de problemas cardiovasculares. Essa característica do azeite de oliva se deve à sua composição, 80% de ácido oleico (um ácido graxo com maior vida útil e sem gordura trans).

Pesquisadores americanos conseguiram desenvolver, por edição genética, uma soja que produz um óleo mais saudável. Essa técnica é capaz de alterar os genes dos organismos sem a necessidade de transferência de material genético de outras espécies.


A tecnologia de edição genética envolve modificar genes específicos, interrompendo aqueles ligados a características indesejáveis, ou alterá-los para fazer uma mudança positiva. A técnica de edição genética mais conhecida é a CRISPR.


Óleo mais saudávelO óleo da soja editada tem composição semelhante ao óleo de oliva. Isso quer dizer, 80% de ácido oleico. Além disso, ele também apresenta diminuição de outros compostos relacionados a produção de “gordura ruim”.

A nova soja, que foi desenvolvida em 2015, já está sendo produzida em parceria com pelo menos 100 agricultores no estado de Minnesota. Desde 2018, após o processamento dos grãos, esse óleo mais saudável está chegando aos consumidores norte-americanos e sendo incorporados a alimentos e receitas sem afetar o sabor.


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As gorduras vegetais

As gorduras que conhecemos são formadas pelo que chamamos de ácidos graxos. Esses compostos podem ser monoinsaturados ou poliinsaturados. O consumo de óleos ricos em gorduras monoinsaturadas é considerado mais saudável. Ademais, eles também apresentam maior prazo de validade e maior estabilidade oxidativa.

Por outro lado, para superar a instabilidade das gorduras poliinsaturadas (caso do óleo de soja comum), um processo conhecido como hidrogenação parcial é realizado. Uma consequência negativa da hidrogenação é a produção de ácidos graxos trans (gordura trans). Esses, quando consumidos, aumentam o colesterol ruim e contribuem para doenças cardíacas.

Por isso, pesquisadores buscam desenvolver variedades de soja com maior concentração de ácido oleico, aumentando a quantidade de gorduras monoinsaturadas nessas plantas. Essas novas sojas podem ser usadas para extração de óleo mais saudável a um preço mais acessível para o consumidor do que aqueles derivados de outras fontes. 

Tipos de óleos-comparaçãoÓleo de soja mais saudável e a edição genética

O óleo de soja comum tem aproximadamente 24% de ácidos graxos monoinsaturados, o que é significativamente menor do que outros óleos, como a canola (aproximadamente 60%) e a oliva (cerca de 80%).

Pesquisadores já identificaram, há muitos anos, o grupo de genes responsáveis pelos níveis de gordura na soja. Modificações em alguns desses genes impedem a transformação de gordura monoinsaturada em gordura poliinsaturada. Algumas variedades de soja transgênica com altas concentrações de ácido oleico já foram desenvolvidas e são utilizadas na indústria alimentícia.

No entanto, no trabalho recente utilizando a tecnologia de edição genética, cientistas conseguiram desligar dois genes que transformavam a gordura monoinsaturada em poliinsaturada. Dessa maneira, aumentaram o nível de ácido oleico para 80% na variedade geneticamente editada, superando os 70% da soja transgênica.

A variedade desenvolvida por edição genética também apresentou uma redução de 50% para 4% no nível de gorduras insaturadas, o ácido linoleico.

Óleo de soja mais saudável e barato

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) entendeu que as mutações realizadas pelos cientistas poderiam ter acontecido naturalmente. Os dados apresentados mostraram que nenhum material genético de outro organismo permaneceu na planta. Por isso, o USDA decidiu fazer a avaliação da nova variedade da mesma forma que faz para produtos desenvolvidos por melhoramento convencional.

Os custos do desenvolvimento de novas culturas via edição genética podem ser até 90% menores do que a de culturas desenvolvidas por outras técnicas de biotecnologia. Além disso, ao invés de levar 12 anos para chegar ao mercado, uma cultura com genes editados pode estar disponível aos consumidores em cinco anos.
No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também entende que produtos desenvolvidos por edição genética devem ser avaliados da mesma forma que produtos desenvolvidos por melhoramento convencional. Para que isso ocorra é necessário o envio de uma carta consulta para a CTNBio, descrevendo quais Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMP) foram utilizadas no melhoramento de uma nova cultivar.


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Desta maneira, a edição genética abre portas para que universidades e startups possam explorar essa tecnologia, que se tornou mais econômica e é tão eficiente quanto outras técnicas de biotecnologia aplicadas ao desenvolvimento de plantas melhoradas geneticamente.

 

Fonte: Redação CIB