Por meio da biotecnologia, pesquisadores identificaram o gene que faz as sementes dos grãos de soja provocarem alergia em algumas pessoas. Esse trabalho poderá encurtar a lista de produtos à base de soja que acabam sendo proibidos para o consumo de muitos consumidores alérgicos.

Trata-se de um estudo do Serviço de Pesquisa do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, da Universidade de Arkansas e de empresas privadas. No mundo todo, de 6% a 8% das crianças e de 1% a 2% dos adultos têm alergia a alimentos. Grãos de soja, leite, ovos, amendoim, nozes, peixe, trigo e frutos do mar causam mais de 90% das reações alérgicas a alimentos, principalmente em crianças. No caso da soja, mais de metade de todas as alergias é causada por uma proteína chamada P34.

Os pesquisadores Eliot Herman, Rick Helm e auxiliares desenvolveram variedades de plantas de soja cuja semente não produz essa proteína alergênica. Eles recorreram a um método de biotecnologia chamado “silenciador do gene”, em vez do processo convencional de reprodução, já que o P34 é amplamente disseminado entre grãos de soja selvagens e cultivados. Herman, um fisiologista que trabalha num centro de pesquisas de St. Louis, Missouri, acredita que esse estudo marca a primeira vez que um alergênico humano dominante é eliminado de uma grande cultura com o uso desse método. “As experiências iniciadas em 2001 indicam que as propriedades agronômicas dos grãos modificados não são diferentes daquelas das plantas não alteradas cujas sementes contêm P34”, relata Herman. Os testes prosseguem, porém, para verificar de forma mais ampla a diminuição da condição alergênica da planta e seu potencial comercial.

Nos últimos dois meses, por exemplo, os pesquisadores começaram a nutrir leitõezinhos com grãos hipoalergênicos para comparar as reações desses animais com a dos alimentados por grãos não alterados. O estudo, que inclui testes de alergia, é liderado por Rick Helm, um imunologista da Universidade do Arkansas. Esse trabalho e outros poderão servir como um trampolim para experiências clínicas com humanos e fincar terreno para plantios comerciais, que poderão beneficiar muitos produtos alimentícios, incluindo farinha, cereais e comida para bebês. http://www.ars.usda.gov/is/pr/2002/020903.htm

http://www.ars.usda.gov/is/AR/archive/sep02/soy0902.htm