O cultivo de soja transgênica no Brasil é de extrema importância para a agricultura e a economia do País, sendo o grão mais produzido. De acordo com o estudo 20 Anos de transgênicos: impactos ambientais, econômicos e sociais no Brasil, 92% da área total de plantio da oleaginosa é de soja geneticamente modificada (GM). A maior parte dessas lavouras fica em Mato Grosso, líder nacional de produção do grão.

No mercado brasileiro, tolerância a herbicidas, resistência a insetos e as as duas características combinadas são as melhorias trazidas pela transgenia à soja. Isso torna as variedades transgênicas mais protegidas e, consequentemente, mais produtivas do que as suas versões convencionais.


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História da soja transgênica no Brasil

No Brasil, essa história tem início em 1996, quando os produtores brasileiros de regiões de fronteira com a Argentina observaram que seus vizinhos tinham acesso a uma tecnologia que facilitava o controle e o manejo de plantas daninhas. Enquanto as lavouras de soja transgênica cresciam na Argentina, no Brasil os produtores sofriam com plantas invasoras. À época, diversos defensivos químicos já não controlavam mais algumas dessas plantas daninhas. Assim, não demorou muito para que as primeiras sementes transgênicas argentinas fossem trazidas para o lado de cá da fronteira.

Um ano antes, em 1995, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) havia sido instituída no Brasil. O órgão seria responsável por avaliar a biossegurança dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) – desde o desenvolvimento até a comercialização.

Em 1997 a CTNBio autorizou os testes de campo com a mesma variedade transgênica de soja plantada na Argentina. Em janeiro de 1998, o órgão emitiu um parecer técnico favorável a esse OGM e, na safra seguinte, as primeiras sementes foram plantadas oficialmente.

Entre 1995 e 2005, porém, alguns órgãos tentaram impedir a adoção dos transgênicos no Brasil. A estratégia conseguiu retardar as aprovações no País e gerar insegurança jurídica. Como mostra o gráfico a seguir, nesse período, apenas duas plantas GM foram aprovadas: essa soja e um algodão resistente a insetos.

soja transgênica no Brasil

A importância da soja transgênica no Brasil

A produção da soja transgênica no Brasil supre o mercado interno e externo desses grãos. Os subprodutos do beneficiamento do grão, a exemplo de farelo e óleo, são usados pela indústria de alimentos.

Nos últimos 20 anos, a soja transgênica revolucionou a agricultura brasileira, não só no campo mas também na economia. Todos os anos ela contribui para geração de riqueza, emprego e competitividade para o País.

As exportações brasileiras da oleaginosa tiveram um aumento impressionante desde que as variedades GM estão disponíveis. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em 1998 as exportações do complexo soja somavam 21 milhões de toneladas. Em 2017, esse valor já era de 83 milhões de toneladas, um aumento de quase 300%. Se considerarmos que a adoção de soja GM é superior a 90% há vários anos, perceberemos o impacto que essa tecnologia tem para a cultura.

A expansão da soja também deu uma contribuição decisiva para o desenvolvimento de outra indústria, a de carnes. Nota-se que em 1998 o Brasil produzia cerca de 30 milhões de toneladas de soja e pouco menos de 7 milhões de toneladas de carne de frango e suína. Após 20 anos, em 2017, a produção de soja alcançou quase 120 milhões de toneladas, associada a uma produção de carne de frango e suína de 16,8 milhões de toneladas.

Seria impossível ocupar posição de destaque nas exportações de carnes sem ter desenvolvido a produção e o processamento de soja para servir como insumo na transformação de proteína vegetal em animal.

comparação entre carne e soja

A soja GM é peça-chave na economia e gera bilhões de Reais em divisas. Em 2017, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 1%, a produção da commodity teve aumento de 19,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As exportações da safra 2017/2018 do grão alcançaram 37,1 bilhões de dólares.

Centro-Oeste na liderança

Levantamento feito em outubro deste ano pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrou que a produção da safra de 2017/18 atingiu 119,281 milhões de toneladas, em uma área plantada de 35 milhões de hectares.

O Centro-Oeste é onde mais se produz soja no Brasil. Na região, o Mato Grosso lidera com 32,3 milhões de toneladas de soja em 9,5 milhões de hectares de área plantada.

O Paraná ocupa a vice-liderança do ranking de maiores produtores de soja brasileiros, com 19,1 milhões de toneladas colhidas, em plantações que ocupam 5,4 milhões de hectares. O Rio Grande do Sul vem na sequência, totalizando 17,1 milhões de toneladas em 5,6 milhões de hectares de área plantada.

Origem da soja transgênica

história da biotecnologia nos EUAPioneiros na adoção da transgenia, os Estados Unidos, em 1994, plantaram e comercializaram uma variedade transgênica de tomate que apresentava como característica adicional uma vida útil mais longa. O produto saiu do mercado pouco tempo depois.

Dois anos após, em 1996, a soja transgênica tolerante a herbicidas chegou aos campos norte-americanos e consolidou, definitivamente, essa tecnologia na agricultura. Desde então, a agricultura mundial nunca mais foi a mesma. Como mostra o infográfico abaixo, a partir da descoberta dos princípios da modificação genética, os EUA sempre estiveram na vanguarda da adoção de transgênicos.

Desde a adoção da soja GM tolerante a herbicida nos Estados Unidos, diversos países para os quais a agricultura é importante passaram a acompanhar de perto o desempenho dessa tecnologia. Isso porque essa característica permite mais flexibilidade no controle de plantas invasoras, possibilitando que a soja desenvolva melhor seu potencial agronômico.

Pouco tempo depois, a transgenia também protegeu as plantas do ataque de insetos por meio da inserção de um fragmento do DNA da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt). Esse microrganismo já era usado há anos em formulações inseticidas e a biotecnologia incorporou esse benefício à genética de vegetais. Hoje já existem soja, milho, algodão, canola, berinjela e cana-de-açúcar transgênicos que apresentam resistência a insetos.


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Cenário atual

Além de variedades tolerantes a herbicidas e resistentes a insetos, há pesquisas para introduzir outras características na soja. A Embrapa Soja desenvolve, por exemplo, uma variedade de soja resistente à seca. Isso permitiria que permitiria que a planta fosse cultivada em regiões com menos disponibilidade de água.

Outra unidade da Embrapa, a Recursos Genéticos e Biotecnologia, trabalha para transformar a soja em uma fábrica de compostos medicinais. Variedades tolerantes a outros herbicidas, resistentes a outros insetos e até mesmo com atributos nutricionais melhorados também estão sendo desenvolvidas no Brasil.

Soja: grão milenar e versátil

A mais versátil das leguminosas, a soja foi domesticada há mais de 3 mil anos na China, tornando-se alimento básico em todo Oriente Asiático. As doutrinas vegetarianas do budismo tiveram papel fundamental na disseminação do grão.

Os chineses e outros povos desenvolveram dois métodos para consumir a soja: extraindo a proteína e óleos na forma de “leite” e coagulando este até transformá-lo em “queijo”, o tofu.

Eles também estimularam o crescimento de microorganismos que consomem substâncias indesejáveis por meio da fermentação. O resultado foi o molho de soja e o missô, usados como base da culinária oriental, em particular a japonesa.

A soja só chegou ao Ocidente no século 19. Mas logo se tornou um dos principais cultivos dos Estados Unidos, que é hoje o maior produtor do grão.

Altamente nutritiva, a soja é rica em proteína, reserva de óleo e tem equilíbrio ideal de aminoácidos.

 

Fontes: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Ministério da Agricultura, ISAAA (Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia), A soja brasileira e gaúcha no período 1994-2010: uma análise da produção, exportação, renda e emprego