Após muita polêmica, foram liberados no Brasil os estudos científicos com células-tronco embrionárias. As pesquisas, que já haviam sido permitidas no país pela Lei de Biossegurança, foram interrompidas em 2005, quando o Procurador-Geral da República, na época, Cláudio Fonteles, tentou proibi-las, dizendo ser inconstitucional. Na quinta-feira (29/05), o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a questão e liberou os estudos, sem restrições.

As células-tronco têm papel fundamental no futuro da medicina. Em laboratório, elas têm a capacidade de serem transformadas em qualquer outro tipo de célula ou tecido humano (neurônios, tecidos do coração etc). Isso traz milhares de possibilidades de aplicações medicinais no futuro, como regeneração de neurônios destruídos pelo mal de Parkinson ou mal de Alzheimer, recuperação de tecidos do coração danificados por infartos, recuperação da visão de pessoas com problemas na retina, além de tratamento de uma imensa gama de doenças genéticas.

Como o nome diz, as células-tronco embrionárias são obtidas de células de embriões humanos de até cinco dias após a fecundação. Também existem as células-tronco adultas, que podem ser obtidas de tecidos de organismos já desenvolvidos, como a medula óssea, cordão umbilical e até mesmo da pele, entre outros – mas a maioria delas tem capacidade de transformação mais limitada.

Agora, o Brasil faz parte de uma elite moderna de países que permitem essas pesquisas. Ele é o primeiro da América Latina e o 26º do mundo, junto com Reino Unido, Canadá, Japão, Canadá, Coréia do Sul, Israel, entre outros. A legislação brasileira permite a utilização em pesquisas de células-tronco embrionárias fertilizadas in vitro e não utilizadas. A regulamentação prevê que os embriões usados estejam congelados há três anos ou mais e veta a comercialização do material biológico. Também exige a autorização do casal.

Fonte: Globo.com – 29 de maio de 08