Pesquisas com duas novas terapias genéticas podem abrir caminho para a cura da epilepsia. Os estudos foram conduzidos pela University College London Institute for Neurology (Instituto de Neurologia da Universidade de Londres) e publicados na edição de novembro de 2012 do periódico Science Translational Medicine.

O primeiro desses novos tratamentos utiliza conceitos da optogenética, uma combinação de ótica e genética, e tem aplicação na identificação dos processos cerebrais. Por meio de um vírus geneticamente modificado (GM) os cientistas conseguiram transferir para células cerebrais de roedores um gene que inibe os ataques epiléticos. Os animais submetidos ao tratamento, mesmo em circunstâncias favoráveis ao desencadeamento de crises, se mantiveram saudáveis.

A segunda terapia consiste em inserir cópias extras de um gene que é capaz de controlar a carga elétrica dos neurônios em ratos. Quando roedores previamente expostos à toxina tetânica (que causa as convulsões epiléticas) foram testados, a frequência de crises diminuiu até cessar. No caso da inserção, ao mesmo tempo, da toxina e dos genes, a terapia genética preveniu o desenvolvimento da doença.

A epilepsia é uma doença neurológica cujos sintomas são queda, perda de consciência, convulsões e movimentos involuntários. O mal afeta de 1% a 1,5% da população mundial. No Brasil, isso corresponde a cerca de dois a três milhões de pessoas.

O tratamento mais comum é feito através de medicamentos, mas as pesquisas com terapia genética têm como alvo as pessoas com epilepsia de difícil tratamento, que não respondem bem a medicamentos e não podem se submeter à cirurgia.

Fonte: Science Translational Medicine, 30 de Novembro de 2012