Os cientistas Mark Partridge e Denis J. Murphy, da Biotechnology Unit School of Applied Sciences, da Universidade de Glamorgan, no Reino Unido, assinam texto sobre a rotulagem dos alimentos que contenham ingredientes GM na União Européia. Eles explicam que faz parte das regras vigentes desde julho do ano passado que alimentos contendo a partir de 0,9% de ingredientes GM necessitem de rótulo específico. Menor presença de componentes GM não precisa ser rotulada.
Entretanto, alguns produtores de alimentos orgânicos aplicaram o chamado “rótulo negativo”, que descreve a ausência de alguns ingredientes. Desta forma, os rótulos informam “livre de GM” ou “feito com soja não geneticamente modificada”.Os pesquisadores explicam que há vários alimentos cujo processamento inclui óleo ou proteínas isoladas derivados de soja. É estimado, segundo o texto, que mais de 60% de produtos alimentícios num supermercado levam derivados de soja, segundo dados do National Centre for Biotechnology Education, de 2003.Devido à crescente demanda por produtos e da pequena produção de soja na Europa, há um volume cada vez maior de importação de soja, de várias áreas das Américas. Numa pesquisa feita na Irlanda, no ano passado, apurou-se que 12 das 75 amostras pesquisadas deram positivo para a presença de ingredientes GM. Vários produtos de soja que continham o rótulo “livre de GM” tinham, na verdade, 1% e 0,7% de soja geneticamente modificada.
Segundo os cientistas, esses dados mostram que é preciso considerar, na elaboração de uma regulamentação, a realidade da biologia e do comércio. A atual incerteza em torno do rótulo “livre de GM” está causando impedimentos e, às vezes, custo alto à indústria de alimentos, aos produtores, aos varejistas e aos consumidores.
“Qualquer regra sobre rotulagem deve considerar que os consumidores precisam ser informados”, diz o texto, mas também tem de levar em consideração a situação real do comércio internacional e das implicações econômicas para os produtores. Por exemplo, a mais barata e mais simples opção para qualquer importador de soja na Europa, confrontado com a extensiva presença de soja GM na cadeia de fornecimento, seria rotular todos os produtos como “pode conter ingredientes GM”.
Aqueles varejistas que quiserem omitir um rótulo GM, isto é, que quiserem garantir que há menos de 0,9% de componente GM, ou aqueles que desejarem colocar o rótulo “livre de GM”, deveriam incorrer no considerável custo adicional para preservar a indicação de ingredientes ou de testar os alimentos para detectar presença de material GM.
Essa providência pode resultar numa segmentação de mercado com rótulo de alimentos GM sendo considerados mais baratos e abrangendo uma larga faixa de mercado do que aquele nicho de produtos que contêm o rótulo “livre de GM”. Esta é uma interessante possibilidade e, possivelmente, não será desejada por aqueles que advogam a obrigatoriedade de rotular alimentos que contenham material GM.