Culturas geneticamente modificadas (GM) enriquecidas com nutrientes vão ser testadas no campo, em caráter de confinamento, na Grã-Bretanha, ainda nesta safra. Cientistas introduziram na camelina, uma planta da família do linho, genes responsáveis pela produção de Ômega-3, tipo de óleo que reduz o risco de problemas cardíacos, câncer, doenças neurodegenerativas e que, geralmente, é encontrado somente nos peixes. O resultado foi uma variedade que produz este composto em suas sementes.

A camelina transgênica é um exemplo de uma nova geração de vegetais GM, cujas transformações têm como objetivo contribuir para a melhora na saúde das pessoas. Se os testes de campo forem bem sucedidos, a planta será usada como ração para peixes, a exemplo do salmão, com o objetivo de aumentar o teor de Ômega-3 neste alimento. Segundo o professor do Instituto de Pesquisa Rothamsted, Jonathan Napier, existe também a possibilidade de utilizá-la como aditivo na produção de iogurtes, margarinas ou como suplemento alimentar.

Embora descrita como um óleo dos peixes, o Ômega-3 é, na verdade, produzido por microalgas marinhas que são ingeridas por eles. “A quantidade de Ômega-3 encontrada na carne desses animais está diretamente relacionada com suas dietas”, explica Napier. “No mar, como há abundância de microalgas, eles conseguem esse nutriente com facilidade mas, quando criados em ambientes fechados, a quantidade desse composto é reduzida drasticamente” completa. A camelina transgênica é uma alternativa para, ao mesmo tempo, aumentar o teor nutricional dos peixes de cativeiro e garantir sustentabilidade ao processo.

Pesquisadores britânicos copiaram e sintetizaram os genes da microalga e o introduziram na camelina, vegetal conhecido pelo óleo de sua semente. As plantas transgênicas estão sendo cultivados em Harpenden, a apenas 30 minutos de Londres. O local é protegido por um rígido sistema de segurança para evitar que ativistas destruam os experimentos. De acordo com Jonathan Napier, até o momento, não houve problemas. “Acredito que as pessoas aceitam mais o desenvolvimento de transgênicos com benefícios à saúde humana do que com vantagens agronômicas, embora a técnica empregada seja a mesma”, argumenta o professor.

Fonte: The Telegraph, Agosto de 2014