No Condado de Champaign, estado de Illinois, Estados Unidos, o fazendeiro John Reifsteck assistiu a uma mudança importante em sua lavoura: assim como 55 milhões de outros produtores do mundo todo, ele passou a cultivar transgênicos ainda em 1996. Hoje, quase treze anos depois, possui 720 hectares de soja e milho tolerantes a herbicidas e resistentes a insetos e, junto com outros milhares de produtores americanos que também adotaram a tecnologia, garantiu a força da agricultura de seu país no cenário mundial. Em rápida passagem pelo Brasil, a convite do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Reifsteck contou sua experiência em Cascavel, Paraná, durante o 21º Show Rural, entre 09 e 13 de fevereiro.

O produtor é membro da organização Truth about Trade & Technology, um grupo de agricultores americanos que tem como objetivo trocar experiências e esclarecer dúvidas sobre as variedades geneticamente modificadas (GM). Reifsteck plantou sementes GM pela primeira vez em 1996, e logo se transformou num defensor do direito de acesso à biotecnologia agrícola. “As variedades testadas, aprovadas e cultivadas nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo, deveriam ser mais agilmente analisadas e autorizadas por outras nações para benefício da agricultura mundial e dos consumidores”, defende. “Essas sementes passaram por sistemas regulatórios muito rígidos e, após inúmeros testes, a conclusão é de que são seguras ao meio ambiente e à saúde humana e animal”, explica.

Os hectares de Reifsteck fazem parte dos 57,5 milhões cultivados com transgênicos, em 2007, nos Estados Unidos, de acordo com dados do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA). Os EUA são o país que mais utiliza transgênicos no mundo, com 50% da área total de lavouras GM.
Reifsteck contabiliza as vantagens apresentadas pelas variedades geneticamente modificadas – incluindo um milho GM que apresenta tolerância a herbicida e resistência a duas famílias de insetos, ainda não disponível no Brasil – para justificar sua adesão à biotecnologia agrícola. “O milho GM me proporcionou uma produtividade entre 5% e 10% acima da média das lavouras convencionais”, explica. “Já com a soja, minha margem de lucro é significantemente maior em relação à alcançada com a variedade não-transgênica”, comemora.

Maior facilidade no manejo da lavoura e redução nos custos de produção são outros benefícios dos transgênicos listados pelo agricultor. “Os transgênicos são uma ferramenta muito útil para os produtores porque podem oferecer maior resistência a pragas, reduzir o número de aplicações de agrodefensivos e, consequentemente, de combustíveis usados nas máquinas para pulverização”, comenta Reifsteck.
Segundo o relatório do ISAAA, estima-se que, nos Estados Unidos, o aumento da renda agrícola após a chegada dos transgênicos, em 1996, tenha sido de aproximadamente US$ 16 bilhões. Atualmente, o país cultiva milho, algodão, alfafa, soja, abóbora, batata, canola e mamão transgênicos. “Meu país fez um bom trabalho ao assegurar que a maior parte da regulamentação sobre o uso de organismos GM fosse baseada na ciência e ficasse sob responsabilidade do governo federal. Isso garantiu o fluxo das aprovações e permitiu que os agricultores americanos tenham acesso à tecnologia”, diz Reifsteck.

Fonte: CIB