O uso de transgênicos na agricultura é indispensável pois aumentam a produção agrícola, otimizam o uso de defensivos e desenvolvem plantas mais adaptadas aos desafios do campo.

Agricultores do mundo todo, em especial de países em desenvolvimento, têm se beneficiado com a adoção das culturas transgênicas no campo nas últimas duas décadas.

Segundo relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA) a área plantada de transgênicos no mundo todo era de 1, 7 milhão de hectare em 1997. Vinte anos depois, esse número chegou a 189,2 milhões de hectares.

Transgênicos na agricultura

Os mais de 18 milhões de agricultores (até 90% eram pequenos) em 24 países que plantaram culturas biotecnológicas tiveram diversos benefícios. Entre eles estão:

  • Maior produtividade,
  • Autossuficiência de terras cultiváveis,
  • Diminuição dos efeitos das mudanças climáticas,
  • Progresso social e econômico.

De milho resistente à seca a arroz rico em betacaroteno, a biotecnologia é capaz de desenvolver plantas resistentes e com alta produtividade capazes de atender a demanda do mercado consumidor de grãos e alimentos.

O Brasil ocupa posição de destaque no cultivo de transgênicos; é o segundo no ranking, atrás dos Estados Unidos, na produção de soja, milho, algodão. Também somos pioneiros na pesquisa de novas culturas geneticamente modificadas (GM).

Impacto dos transgênicos na agricultura

De 1996 a 2017, foram plantados 2,15 bilhões de hectares de grãos transgênicos no mundo todo, segundo relatório do ISAAA.

Os maiores beneficiados foram os países em desenvolvimento. Dos 24 produtores de transgênicos em 2017, 19 são países em desenvolvimento e cinco de países desenvolvidos. A produção de transgênicos da China, Argentina, Brasil, nesses 21 anos, somou 63 bilhões de dólares.

Benefícios das culturas transgênicas no campo

O aprimoramento das técnicas de melhoramento genético de plantas tem papel fundamental na agricultura do século 21. Sem o desenvolvimento de sementes transgênicas, seria muito mais difícil enfrentar desafios como o aumento vertiginoso da população, demanda por alimentos, mudanças climáticas, com desertificação e elevada incidência de pragas e doenças no campo.


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Entre os benefícios comprovados dos transgênicos na agricultura estão:

  • Otimização no uso de insumos: a produção de proteínas inseticidas nas plantas com resistência a insetos diminui o número de aplicações de inseticidas nas lavouras, resultando em economia de trabalho, combustível e entrada de máquinas no campo;
  • Maior conservação do solo: a adoção de sementes com tolerância a herbicida favoreceu a prática de plantio direto. Sistema onde se procura manter o máximo de resíduos vegetais e executa o mínimo de mobilização no solo, proporcionando e mantendo a qualidade física e de composição da terra, reduzindo inclusive a erosão;
  • Aumento da produção de alimento a baixo custo: segundo estudo do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), a difusão dos transgênico “definiu uma queda generalizada dos preços ao longo do tempo”. Tal fato é decorrente do “aumento da produtividade e redução dos custos”;

O que mudou em duas décadas e panorama atual

20 anos de transgênicosA aprovação da primeira soja transgênica tolerante ao glifosato completou vinte anos em setembro de 2018. Ela faz parte da primeira geração de transgênicos.
De lá para cá, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pela análise e aprovação de organismos geneticamente modificados (OGM), já aprovou dezenas de produtos como milho, algodão, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar.

Em 2005, entrou em vigor a Lei de Biossegurança 11.105/05, que definiu as normas de segurança e mecanismos de fiscalização dos OGM, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente.


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A Lei estabelece uma série medidas de controle que vão desde o desenvolvimento dos produtos até o seu monitoramento no mercado. Entre essas medidas, está a exigência de que toda empresa que trabalhe com OGM tenha uma Comissão Interna de Biossegurança (CIBio), responsável por garantir a pesquisa e desenvolvimento seguro dos organismos geneticamente modificados (OGM).

A legislação também prevê a necessidade de autorização prévia, registro de instalações e de profissionais habilitados para as atividades de pesquisa. Nenhuma instituição pode trabalhar com biotecnologia no Brasil sem o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB), que é emitido pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Seguindo os ritos estabelecidos pela Lei de Biossegurança, cada OGM é submetido a análise caso a caso.

Transgênicos na agricultura brasileira

O cultivo de grãos geneticamente modificados começou no Brasil em meados da década de 90. Agricultores gaúchos traziam sementes da Argentina.

De lá pra cá, muito coisa aconteceu com a biotecnologia agrícola. Novas sementes surgiram no mercado, pesquisas avançaram na área. A utilização dos transgênicos na agricultura ganhou a confiança dos produtores.

20 anos de transgenicosO resultado disso tem sido safras recordes e bilhões em receita. Em 2017, foram plantados 54,3 milhões de hectares de transgênicos no País, 26% a mais do que no ano anterior.

Líderes de cultivo no Brasil

Soja, milho e algodão são os principais cultivos de transgênicos na agricultura brasileira. A área plantada das três culturas atingiu 54,3 milhões de hectares em 2017, 1% a mais do que no ano anterior, que foi 52,6 milhões de hectares.

Os benefícios ambientais decorrentes dos 20 anos de adoção de lavouras transgênicas no Brasil foram muito expressivos. De acordo com estudo, houve redução na dosagem aplicada de defensivos por hectare de até 36% para a soja, 18% para o milho verão, 16% para o milho inverno e de 32% para o algodão. No total, em 20 anos, o cultivo de plantas transgênicas contribuiu para a redução da aplicação de 839 mil toneladas de defensivos, o que corresponde à exclusão do ambiente de 363 mil toneladas de princípios ativos distintos usados para o controle de pragas-alvo da tecnologia.


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Veja alguns dados sobre os principais transgênicos da agricultura brasileira.

  • Soja: o cultivo da soja transgênica ocupou 33 milhões de hectares no Brasil em 2017. Isso significa 97% do total da área plantada de soja. A demanda dos mercados interno e externo e alta produtividade motivaram os agricultores brasileiros a adotar cada vez mais a soja geneticamente modificada. As principais variedades cultivadas são resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas. O subprodutos da soja (óleo, farelo, grão) são utilizados no mercado de alimentação animal e humana e produção de biodiesel;
  • Milho: a área total de plantio de milho transgênico chegou a 15,7 milhões de hectares, ou seja, 89% do total. Isso representa mais de 80 milhões de toneladas produzidos em 2017, segundo dados do IBGE. O crescimento do cultivo de milho atende a demanda por alimento animal (gado, suínos e aves) e produção de etanol. O milho transgênico do mercado brasileiro pode ser resistente aos três tipos mais comuns de lagartas que atacam as lavouras de milho – do cartucho, da espiga e a broca-do-colmo. Além disso, a característica de tolerância a herbicidas também é encontrada nos milhos transgênicos;
  • Algodão: a adoção de algodão transgênico na lavoura brasileira foi de 84% da área total plantada. Isso representou, em 2017, 1.1 milhão de hectare. Além da indústria têxtil, o algodão também é usado na produção de óleo de algodão para preparo de saladas, molhos, maioneses, margarinas biscoitos e outros alimentos, além de misturas para rações animais.