A trajetória dos transgênicos no Brasil é de ascensão. De polêmicos, na década de 90, tornaram-se a principal ferramenta adotada no campo. Hoje são responsáveis por fomentar a economia por meio da geração de empregos e do aumento na produção de grãos, fibras e proteínas.

A adoção da biotecnologia, há 20 anos, fez com que o País se tornasse uma das principais potências agrícolas do mundo. Nesse meio tempo, firmamos nossa posição como exportadores e importantes players no cenário global de produção de alimentos.

Transgênicos no Brasil


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Transgênicos: tudo o que você precisa saber


Hoje mais de 50 milhões de hectares de culturas transgênicas são cultivados nas principais regiões produtoras. Essas plantas trouxeram benefícios não apenas à economia brasileira, mas também ao meio ambiente.

Houve redução na aplicação de defensivos por hectare e diminuição das perdas por conta do ataque de pragas. Mas, além de vegetais, a transgenia também pode desenvolver vacinas, medicamentos e microrganismos que, por sua vez, geram produtos de limpeza, biocombustíveis, cosméticos, etc.

Por conta da excelência na pesquisa, investimentos no desenvolvimento de produtos e regulamentação específica aplicada à Biotecnologia, o Brasil está na vanguarda da ciência mundial.


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Estudo de percepção sobre transgênicos na produção de alimentos


A história dos transgênicos no Brasil

Tudo começou no fim dos anos 90. As sementes de soja transgênica vindas da Argentina chegavam ao Brasil pelas mãos de agricultores gaúchos. Diante do sucesso do plantio no Rio Grande do Sul, aumentou a pressão para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberar comercialmente a variedade da oleaginosa trazida do país vizinho.

A autorização para o cultivo de transgênicos no Brasil veio com a soja transgênica tolerante ao glifosato, em outubro de 1998. Era a primeira liberação para plantio em escala comercial. Entretanto, à época, a CTNBio já havia aprovado dezenas de outras variedades para testes.

Esses experimentos foram feitos com a mais rigorosa segurança: em pequenas áreas – de poucos hectares -, com faixas de segurança para evitar dispersão de pólen e com a queima de todos as plantas após a colheita.

Desde então, as culturas aprovadas no Brasil para plantio, consumo humano ou animal são soja, milho, algodão, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar. Dentre essas, soja, milho, algodão e cana já estão no campo.

Organismos Geneticamente Modificados

Além das plantas, nessas mais de duas décadas de história, também foram aprovados outros organismos geneticamente modificados (OGM). São eles: vacinas, microrganismos, um inseto e um medicamento.

O mosquito da dengue (Aedes aegypti) transgênico pode ajudar no controle populacional do inseto para o combate da própria dengue, do zika vírus, da febre chikungunya e da febre amarela. Os microrganismos aprovados são leveduras e microalgas usadas para fabricação de etanol, triglicerídeos e diversos bioprodutos de aplicação industrial.


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Transgenia para combater a dengue


Transgênicos no Brasil, o país da agricultura

O Brasil foi responsável pelo cultivo de 50,2 milhões de hectares (ha) de culturas transgênicas em 2017, um crescimento de 2% em relação a 2016 ou o equivalente a 1,1 milhão de ha. Os dados são do estudo 20 anos de transgênicos: benefícios sociais, econômicos e sociais no Brasil. O documento analisa os benefícios sociais, ambientais e econômicos da adoção brasileira da biotecnologia na agricultura.

Os cultivos transgênicos na agricultura brasileira são:

Soja

A oleaginosa transgênica ocupou 35 milhões de hectares em 2017. Nessa área, foram produzidas 118,9 milhões de toneladas do grão. Isso significa 92,3% do total da área plantada de soja.

As principais variedades cultivadas são resistente a insetos e tolerantes a herbicidas. O subprodutos da soja (óleo, farelo, grão) são utilizados no mercado de alimentação animal e humana e na produção de biodiesel.

Milho

A área total de plantio de milho transgênico chegou a 16,7 milhões de hectares, ou seja, 89% do total. Isso representa mais de 89,4 milhões de toneladas produzidos em 2017. As características mais comuns do milho transgênico brasileiro também são tolerância a herbicidas e resistência a insetos.

A produção atende, em sua maioria, à demanda por ingredientes de rações e à produção de etanol. As variedades resistentes a insetos controlam os três tipos mais comuns de lagartas no Brasil: a do cartucho, a da espiga e a broca-do-colmo.

Algodão

O algodão transgênico é a fibra da planta que foi geneticamente modificada por meio da inserção de um ou mais genes de outro organismo. O algodão transgênico brasileiro pode ser resistente a insetos, tolerante a herbicidas ou as duas coisas ao mesmo tempo.

A taxa de adoção do algodão geneticamente modificado (GM) na lavoura brasileira foi de 94%. Isso representou, em 2017, 1.1 milhão de hectare plantado, o que resultou em uma produção de 4,8 milhões de toneladas.

Entre os benefícios do algodão transgênico estão a facilidade de manejo da lavoura, o aumento da produtividade e a otimização no uso de defensivos agrícolas no campo.

Cana-de-açúcar

A primeira cana-de-açúcar transgênica do Brasil foi aprovada em junho de 2017 pela CTNBio. A variedade é resistente à broca-da-cana (Diatraea saccharalis). Esse inseto é a principal praga da cultura atualmente, causando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano.

A característica inserida foi obtida por meio da introdução de genes da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt). A utilização de soluções contendo Bt é uma prática comum para o controle de insetos, inclusive na agricultura orgânica, há mais de 40 anos.

adoção de transgênicos no Brasil

Lei de Biossegurança no Brasil

A Lei de Biossegurança é uma regulamentação rigorosa alinhada às discussões e protocolos internacionais. Ela garante a segurança de todos os transgênicos no Brasil. A Biossegurança é um conjunto de procedimentos que eliminam ou minimizam riscos ligados à produção, armazenamento, pesquisa, comercialização, consumo, liberação no meio ambiente, entre outros fatores.

A Lei 11.105/05, define as normas de segurança e mecanismos de fiscalização dos OGM. Suas diretrizes são o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente.

Antes de um OGM ser liberado para comercialização, a CTNBio faz a análise técnica de sua biossegurança sob os aspectos vegetal, ambiental e de saúde humana e animal. Um dos requisitos para a aprovação de um alimento GM é a comparação de todos os componentes com uma versão não modificada da cultura. Só podem ser comercializados produtos que apresentem como diferença única e exclusiva a característica inserida.

Rotulagem de transgênicos no Brasil

O Decreto 4.680 de 2003 determinou que um produto que contiver mais de 1% de ingrediente transgênico em sua composição deve ter no rótulo as seguintes informações:

  1. símbolo de transgênico na embalagem. A representação é um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  2. frase “produto produzido a partir de soja transgênica” ou “contém soja transgênica”;
  3. nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

Entretanto, em 2016, o Tribunal Regional Federal 1, considerou que os alimentos que contêm transgênicos ou são produzidos a partir deles devem ser rotulados independentemente do teor. Essa é a decisão que está em vigor hoje.

 


SAIBA MAIS

Três novidades sobre a rotulagem de transgênicos


O Projeto de Lei (PLC 34/2015), em discussão no Senado, tem como objetivo deixar as informações sobre transgênicos mais claras, simples e de fácil compreensão.

Ele propõe que, acima do limite de 1% do produto final, os rótulos informem a presença de transgênicos no alimento em questão. Essa informação deverá substituir o ícone T dentro de um triângulo amarelo, que remete à perigo, e as informações sobre as espécies doadoras dos genes, pela expressão “transgênico” ou “contém ingrediente transgênico”.

É importante ressaltar que a rotulagem não tem relação com a biossegurança dos transgênicos, mas sim com o direito à informação do consumidor.

20 anos de transgênicos no Brasil

O Brasil tem dimensões continentais, clima e biomas variados. Além disso, nossa população vem crescendo e vivendo cada vez mais. Atender ao mercado consumidor interno e externo seria tarefa quase impossível sem a ciência associada aos transgênicos. Ainda assim, pesquisa do CIB e Ibope Conectai, realizada em 2016, mostrou que apenas 23% dos entrevistados acreditava que o ciência é aplicada na agricultura.

O estudo “20 anos de transgênicos: impactos ambientais, econômicos e sociais no Brasil“, porém, confirmou os benefícios da adoção da transgenia nas culturas de soja, milho e algodão. O ganho macroeconômico representou R$ 2,8 bilhões adicionais para o Produto Interno Bruto (PIB). O cultivo de soja contribuiu com 1,6 bilhão; o de milho com 1,2 bilhão; e o de algodão, com 100 milhões.


SAIBA MAIS

Em 20 anos de transgênicos, agricultores são os mais beneficiados


O benefício da biotecnologia agrícola também pode ser mensurado pela contribuição no valor bruto da produção. Entre as safras 1998/99 a 2017/18, o desempenho das variedades transgênicas foi responsável por uma injeção de R$ 45,3 bilhões a mais na economia. Estima-se que, ao longo dos anos analisados, R$ 731 milhões de reais tenham sido arrecadados em função da adoção da biotecnologia na agricultura.

Os salários pagos a trabalhadores rurais também cresceu nesse tempo. Ao longo das últimas duas décadas, a tecnologia foi responsável pelo incremento de R$ 2,2 bilhões na massa salarial – ou 2,27 milhões de salários mínimos. Desse total, 72,7% decorre dos efeitos dos transgênicos na cadeia da soja, 27,2% pelos benefícios na cadeia do milho e 0,1% pela cadeia de algodão.

O estímulo ao uso correto e sustentável dos transgênicos no Brasil deve fazer parte de uma agenda estratégica dos governos do País.