O primeiro estudo sobre a vacina para prevenir o câncer do colo do útero concluiu que o recurso é 100% eficiente, bloqueando a doença e as lesões que podem tornar-se tumores malignos, anunciou a fabricante Merck & Co.

Esse tipo de câncer afeta mais de 400 mil mulheres anualmente no mundo e, depois do tumor da mama, é o segundo tumor com maior incidência entre as mulheres. Há vários tipos diferentes do mesmo vírus, cerca de cem. Alguns são inócuos, outros produzem verrugas genitais e os mais perigosos produzem lesões que levam ao câncer. A vacina da Merck protege contra quatro tipos: HPV-6, 11, 16 e 18.

Os tipos 16 e 18 são responsáveis por 70% ou mais dos cânceres de colo de útero. Já os 6 e 11 respondem por mais de 90% das verrugas genitais.

A vacina, chamada Gardasil, foi geneticamente desenvolvida e bloqueia a infecção. Os resultados são dos chamados testes de fase 3, que envolvem grande número de voluntárias e consistem na última etapa antes da chegada de uma nova droga ao mercado. O programa de testes envolve 25 mil mulheres com idades entre 16 e 23 anos, em 33 países. Do Brasil, nesse grande grupo, são cerca de 3.000 voluntárias. Entre as que receberam a vacina, nenhuma desenvolveu câncer cervical ou lesões pré-câncer nos dois anos seguintes ao recebimento da vacina. No grupo que não recebeu a vacina, 21% teve registro de lesões no útero ou câncer cervical.

“Alcançar 100% de eficácia é algo muito raro”, comentou Eliav Barr, responsável pelo estudo clínico da Merck. O estudo, patrocinado pela Merck, foi apresentado em um encontro da Sociedade Americana de Doenças.

A vacina é preventiva, ou seja, só serve para conferir imunidade a pessoas que ainda não foram infectadas com o vírus.

No Brasil, uma outra vacina passa no momento por testes com animais. Desenvolvida pela USP e pelo Instituto Butantan, ela só se aplica aos tipos 16 e 18. E outros grupos buscam novas estratégias, tanto preventivas quanto terapêuticas (para tratamento após uma infecção) para atacar o vírus.

Fontes: Estadão.com, Folha Online e Agência EFE